26 de setembro de 2026

“Orçamento secreto” pagou R$ 107 milhões em emendas no Estado

As emendas autorizadas e liberadas pelo relator (RP9) do Orçamento da União em 2021, resultaram em R$ 107 milhões em recursos para atender as bases de sete parlamentares de Mato Grosso do Sul neste.

A modalidade de pagamento de emendas recebeu o nome de Orçamento Secreto por causa de suas características, por causa da liberação de boa parte delas pelo relator do orçamento, sempre às vésperas de votações importantes.  

Em Mato Grosso do Sul, o campeão de liberação de recursos via emendas RP9 é o senador Nelsinho Trad (PSD), que sozinho, conseguiu destinar R$ 59,88 milhões para vários projetos no Estado. 

A quantia representa mais da metade de todas as emendas do Orçamento Secreto autorizadas para o Estado.  

“Pena que meu nome não saiu em primeiro lugar. Deste orçamento que eles chamam de secreto, da minha parte não tem nada de secreto, porque todo o recurso que eu conquisto e libero, eu faço um vídeo e anuncio nas minhas redes sociais”, disse Nelsinho Trad. 

“Somente hoje, por exemplo, eu consegui recursos para Mundo Novo, Corumbá, Três Lagoas e Água Clara”, complementou.  

Nelsinho Trad também questionou a forma como as emendas de relator foram abordadas na sociedade. 

“Qual a finalidade de receber um recurso e mandar secretamente para algum lugar? Isso não existe”, comenta. “Nós damos publicidade ao recursos”, acrescenta Nelsinho.

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, do DEM, embora tenha assumido o mandato de deputada federal em curtos períodos, conseguiu R$ 24 milhões. 

A soma dos parlamentares que conseguiram recursos pelo orçamento secreto foi noticiada originalmente pelo jornal O Globo. 

A manifestação orçamento secreto surgiu recentemente e, para entendidos no assunto, é um indício de que o governo de Jair Bolsonaro, do PL, estaria repartindo dinheiro por meio de emendas somente a aliados, cujo propósito seria o de angariar votos em pautas favoráveis ao governo no Congresso Nacional.

A modalidade dessa distribuição de recursos aos parlamentares, batizada de orçamento secreto, é contestada, principalmente, pela falta de transparência, pois há uma dificuldade em identificar o nome do deputado ou senador autor da emenda favorecida.

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