28 de setembro de 2026

Prevenção do suicídio: conversas sem julgamentos podem salvar vidas

“Não sei exatamente quando aquela tristeza se instalou de vez. Apenas sei que os dias se tornavam mais tristes, sem cor e sem esperança”, diz uma enfermeira* de 37 anos, que mora em Campo Grande. Com ajuda profissional, a mulher que passou por um longo período de infelicidade venceu o sofrimento psíquico e evitou o suicídio.

No entanto, o apoio que ela teve para lidar com seus problemas, recebido até mesmo de “poucos amigos e familiares”, não é realidade da maioria.

Todos os anos, cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio no mundo, segundo a OMS. Só em Mato Grosso do Sul, foram 88 mortes registradas por este motivo entre os meses de janeiro e agosto deste ano. Em 2019, outras 263 vidas foram perdidas, conforme dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES).

Os números são expressivos e revelam um problema de saúde pública complexo, rodeado de tabus. De difícil compreensão, o assunto muitas vezes é colocado de lado. As pessoas evitam falar a respeito. Mas, nem sempre, essa é a melhor decisão, avaliam especialistas.

Prevenção do suicídio

Desde 2003, o dia 10 de setembro é marcado como o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. No Brasil, a data foi reforçada em 2014 com a criação da campanha Setembro Amarelo, idealizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM). O objetivo é conscientizar a população sobre a temática.

E para falar de prevenção do suicídio é necessário deixar de lado o tabu – aquilo que é proibido por crença ou pudor. As conversas sem julgamentos e a acolhida de quem está passando por sofrimentos podem ser algumas das ferramentas mais eficazes para salvar vidas.

A enfermeira do início da reportagem, por exemplo, conseguiu ajuda de um colega médico psiquiatra depois de conversar e pedir auxílio. Ela passou por um longo acompanhamento e uma internalização.

“Um trabalho sobre revitalizar aquela alma morrendo naquele corpo que permanecia vivo, um caminho de auto-descobrimento”, define ela.

Rede de atenção

E ajuda que muitas pessoas precisam pode vir por vários caminhos. Um deles é o SUS. Em todo o Mato Grosso do Sul, serviços pelo Sistema Único de Saúde estão disponíveis para a população que precisa de cuidados. Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) e ambulatórios de saúde mental estão espalhados por 22 cidades do Estado.

Com atendimento especializado, os CAPs funcionam em Aparecida do Taboado, Aquidauana, Bataguassu, Bela Vista, Bonito, Caarapó, Camapuã, Campo Grande, Cassilândia, Chapadão do Sul, Corumbá, Costa Rica, Coxim, Dourados, Maracaju, Nova Andradina, Naviraí, Paranaíba, Ponta Porã, Rio Verde de Mato Grosso, São Gabriel do Oeste e Sidrolândia.

Confira a lista de contatos aqui.

Quem precisar de apoio nos demais municípios do Estado pode procurar atendimento na unidade básica de saúde – o postinho do bairro. Outra alternativa é Centro de Valorização da Vida (CVV), que atende gratuitamente pelo telefone 188.

*O nome não foi divulgado para preservar a identidade da personagem

Texto: Bruno Chaves
Foto: Divulgação

Fonte: Governo do Estado MS

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