7 de maio de 2026

Gripe K: circulação de mutações da H3N2 será cada vez mais comum, diz infectologista

A nova variante subclado K, conhecida como ‘gripe K’ ou ‘super gripe’, é uma mutação já conhecida, do ponto de vista da evolução do vírus influenza H3N2. A circulação de novas variantes, inclusive, é considerada algo ‘natural’, conforme explica o infectologista Julio Croda.

Segundo o especialista, a variante é uma alteração antigênica da proteína, que circula com maior intensidade, pois a imunidade coletiva é menor.

De acordo com o infectologista, o subclado K do H3N2 não teve nenhuma circulação anteriormente e, por isso, a vacina não assegura uma proteção elevada, o que contribui para a circulação significativa do vírus.

No entanto, Julio explica que pessoas vacinadas com a versão mais recente do imunizante ainda contam com um nível de proteção contra o vírus influenza H3N2, especialmente para prevenir casos graves, hospitalizações e óbitos.

“Eventualmente, a gente tem circulações de cepas que são diferentes ao longo dos últimos 100, 200 anos. Isso é natural e geralmente a gente chama isso de mismatch, quando você tem uma variante na qual não existe uma circulação prévia por conta dessa mutação e que a vacina do ano tem uma eficácia menor”, explica.

Gravidade

Especialistas apontam que não foi observada mudança na duração da doença. Em geral, os sintomas duram de três a sete dias, como ocorre em outras gripes. Até o momento, não há indicação de que esse vírus provoque quadros mais prolongados.

No entanto, existem pessoas que têm quadros leves e outras que evoluem com sintomas mais importantes, independentemente do subtipo do vírus.

Febre alta e prolongada, falta de ar, cansaço intenso, prostração ou piora clínica são sinais de alerta. Em crianças pequenas, idosos e pessoas com comorbidades, a recomendação é buscar avaliação médica logo no início dos sintomas.

Vírus pode ter vindo do hemisfério norte

Conforme o infectologista, o hemisfério norte, no momento, é o mais afetado pelo vírus, principalmente na Europa e nos Estados Unidos. No entanto, não é possível afirmar como a variante chegou a Mato Grosso do Sul, considerando que as três pessoas infectadas no Estado não tiveram registro de viagem internacional recentemente.

Julio descarta, portanto, a hipótese de que o vírus tenha chegado ao Estado pela fronteira com a Bolívia. “Nesse caso específico do subclado K, não é através da Bolívia, porque esse subclado está circulando bastante na Europa e nos Estados Unidos. Então alguém que veio de viagem desses lugares muito provavelmente veio com essa subvariante. A gente não tem uma hipótese clara, porque não tem o isolamento em um viajante. Então, a gente não pode criar nenhum tipo de hipótese”, esclarece.

Casos em MS

Os três pacientes diagnosticados com a ‘gripe K’, ou ‘super gripe’, em Mato Grosso do Sul, estão recuperados e já receberam alta hospitalar, conforme informado ao Jornal Midiamax pela SES (Secretaria Estadual de Saúde). Um bebê de cinco meses e dois idosos, de 77 e 73 anos, estão entre os casos confirmados no Estado, sendo dois pacientes do sexo feminino e um do sexo masculino.

Conforme a pasta, apenas um paciente apresentava comorbidades, com histórico de hipertensão e diabete. Somente um dos casos evoluiu para síndrome respiratória aguda grave, com necessidade de internação hospitalar. No entanto, todos os três pacientes apresentaram melhora e nenhum permanece hospitalizado.

Os casos foram confirmados nos municípios de Campo Grande, Nioaque e Ponta Porã. Não há relatos de casos suspeitos no Estado, uma vez que a influenza A (H3N2) é um vírus que já circula regularmente, não sendo possível afirmar com precisão, conforme esclarece a SES.

Como se proteger

A Cievs/CG (Coordenadoria de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde de Campo Grande) divulgou uma série de recomendações e medidas de prevenção e controle da doença.

A cartilha orienta a população a evitar aglomerações; manter ambientes de convívio limpos e ventilados; adotar hábitos de etiqueta respiratória, como cobrir nariz e boca ao tossir ou espirrar; usar máscara, quando apresentar sintomas gripais; manter o uso de álcool em gel e a lavagem frequente das mãos com água e sabão.

No caso de pessoas infectadas, porém assintomáticas, é necessário evitar contato com outras pessoas, especialmente indivíduos pertencentes aos grupos de risco, além de evitar frequentar locais públicos.

Conforme orientação da Coordenadoria, pacientes com sintomas leves, como febre, tosse, espirros, dor de garganta e dor no corpo, devem procurar as Unidades de Atenção Primária; já pacientes com sintomas moderados a graves, como falta de ar, devem ir direto para as unidades de urgência e emergência.

Também é reforçada a importância de manter a vacinação em dia, por se tratar da medida mais eficaz para prevenir a infecção e os efeitos graves causados pelos vírus da influenza, como a hospitalização e o óbito.

O material também traz protocolos a serem seguidos em hospitais e unidades de saúde, confira:

  • Fortalecer o monitoramento dos casos de SRAG (síndrome respiratória aguda grave) hospitalizados;
  • Identificar precocemente a ocorrência de casos de SRAG, proporcionando tratamento e manejo oportuno;
  • Realizar isolamento e monitoramento de casos confirmados para vírus respiratórios;
  • Manter o uso de álcool em gel e a lavagem frequente das mãos com água e sabão;
  • Manutenção dos protocolos gerais de prevenção de vírus respiratório conforme notas técnicas;
  • Limitar visitas a hospitais;
  • Manter ambientes limpos e ventilados;
  • Realizar manutenção dos protocolos gerais de prevenção de vírus respiratório conforme notas técnicas;
  • Estimular e intensificar a vacinação.
  • Vacinação

    Diante do cenário, o Ministério da Saúde reforçou, em nota, que as principais recomendações seguem sendo a vacinação contra a influenza e a adoção de cuidados básicos de higiene e prevenção.

    A vacina contra a gripe disponibilizada pelo SUS (Sistema Único de Saúde) oferece proteção contra os principais tipos do vírus influenza A, incluindo o subtipo H3N2. No entanto, o imunizante pode não impedir totalmente a infecção pelo subclado K, recentemente identificado no país.

    Apesar disso, a vacinação segue sendo considerada essencial pelas autoridades de saúde, uma vez que reduz de forma significativa o risco de evolução para casos graves da doença, além de diminuir as chances de hospitalizações e óbitos.

    A vacinação contra a gripe segue disponível para toda a população a partir dos seis meses de idade, nas 74 unidades de saúde de Campo Grande. Fonte: Midiamax

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