O feriado de 20 de novembro começou em horror no bairro Laranjinha, em Criciúma (SC), quando um surto violento transformou uma residência simples em cenário de destruição emocional.
Kevin da Silva Silveira, de 22 anos, tirou a vida da própria mãe, Rita de Cássia da Silva, 48, e da irmã, Talia da Silva Silveira, 25, usando uma f4ca durante um episódio delirante em que dizia ter recebido uma “missão para eliminar todos”.
No entanto, em meio ao caos, teve um momento de lucidez que salvou uma criança: a sobrinha de apenas 3 anos, que ele mandou fugir e entregou a um vizinho antes de sair da casa 3nsanguentado.
O crime começou pouco depois das 9h da manhã desta quinta-feira, quando Kevin, já há meses apresentando sinais de transtorno mental não tratados, entrou em surto.
Segundo a Polícia Militar, ele atacou primeiro a mãe, conhecida por seu trabalho voluntário na igreja e por ajudar famílias carentes da região. Rita foi atacada na cozinha enquanto preparava o café, sem chance de defesa.
Talia correu ao ouvir os gritos, mas também não resistiu aos golpes. Suas três filhas, de 3, 5 e 7 anos, acordaram com o desespero. As mais velhas se esconderam no quarto; a caçula permaneceu paralizada na sala.
Foi para ela que Kevin disse: “Vai embora, criança, isso não é pra você”. Ele abriu a porta e levou a menina até a casa de um vizinho, pedindo que cuidasse dela. O homem, assustado ao ver o s4ngue nas roupas de Kevin, trancou a porta e ligou imediatamente para o 190. A PM chegou em cerca de 10 minutos.
Encontraram a casa destruída, as vítimas sem vida e Kevin ainda armado com a f4ca. Os policiais ordenaram que ele largasse a 4rma, mas o jovem avançou dizendo que iria “matar todos”. Após insistência ignorada, um policial fez os disparos necessários para contê-lo. Kevin foi socorrido, mas m0rreu a caminho do hospital.
As crianças foram acolhidas pelo Conselho Tutelar, e a pequena de 3 anos, poupada por um ato instintivo do próprio agressor, já está em acompanhamento psicológico. Parentes afirmam que Kevin vinha apresentando delírios e ouvindo vozes há meses, mas nunca recebeu acompanhamento adequado. Medicamentos que deveria tomar estavam sendo utilizados de forma irregular.
A Polícia Civil trata o caso como duplo homicídio seguido de morte decorrente de intervenção policial. A Delegacia de Homicídios apura se havia histórico de surtos anteriores e se a família buscou ajuda sem conseguir acolhimento público — um problema comum no sistema de saúde mental de Santa Catarina.
A comunidade está devastada. A igreja onde Rita trabalhava voluntariamente organizou uma vigília, reunindo dezenas de moradores. Talia, que sustentava as três filhas como auxiliar de enfermagem, foi lembrada como “luz da família”.
A tragédia reacende o alerta urgente para acompanhamento psiquiátrico contínuo, especialmente para jovens em situação de vulnerabilidade emocional.
Um episódio que mistura horror, descaso e um gesto inesperado de proteção, deixando para trás três crianças órfãs e uma comunidade em luto.
Fontes: Jornal Razão • G1


