16 de setembro de 2026

Juiz manda soltar motorista bêbado envolvido em acidente que matou eletricista

Gustavo Henrique de Oliveira Dias, de 28 anos, passou por audiência de custódia na manhã deste sábado (8) e teve liberdade provisória concedida pelo juiz Marcus Abreu de Magalhães. Ele dirigia o Volkswagen Golf envolvido no acidente que matou Wilder dos Santos Rodrigues, de 37 anos, na manhã de sexta-feira (7), na Rua Montese, na Vila Olinda, em Campo Grande.

A decisão reconheceu como válida a prisão em flagrante, mas não manteve Gustavo preso. O magistrado entendeu que, neste momento, não estavam presentes os requisitos necessários para a decretação da prisão preventiva e determinou a expedição de alvará de soltura, desde que ele não esteja preso por outro motivo.

Gustavo é investigado, inicialmente, por homicídio culposo na direção de veículo automotor, condução de veículo sem habilitação ou permissão e direção sob influência de álcool. O teste do bafômetro realizado após o acidente apontou 0,88 mg/L de álcool por litro de ar expelido.

O acidente ocorreu próximo ao Estádio Morenão. Conforme as informações levantadas no atendimento da ocorrência, o Golf estava estacionado e o motorista teria iniciado uma manobra de ré para acessar outra via quando a motocicleta Honda CG 150 conduzida por Wilder atingiu a traseira do automóvel. A dinâmica ainda será analisada pela perícia e durante o inquérito policial.

Wilder sofreu ferimentos graves e morreu no local antes de ser encaminhado para uma unidade de saúde. O Samu foi acionado, mas a vítima já estava sem vida quando a equipe chegou.

Durante a ocorrência, também foi constatado que Gustavo não possui CNH. Segundo a apuração no local, ele teria admitido a um policial de trânsito que havia ingerido bebida alcoólica antes do acidente. Tanto o Golf quanto a motocicleta estavam com a documentação atrasada.

Ao conceder a liberdade provisória, o juiz considerou fatores como residência fixa, trabalho lícito, primariedade e bons antecedentes, além da ausência de indicação concreta de que Gustavo pretendesse fugir ou pudesse prejudicar o andamento do processo.

Para permanecer em liberdade, ele deverá comparecer pessoalmente ao fórum todos os meses para informar e justificar sua ocupação e comprovar endereço. Também não poderá permanecer fora da comarca por mais de 30 dias sem autorização judicial. Gustavo ainda deverá manter o endereço atualizado e comparecer a todos os atos para os quais for intimado.

A decisão tomada na audiência de custódia não representa julgamento sobre a culpa do motorista. O processo criminal continuará e as circunstâncias do acidente, assim como eventual responsabilidade e pena, serão analisadas posteriormente.

Em depoimento na delegacia, Gustavo afirmou ser natural de Três Lagoas. Disse que morava em Chapadão do Sul, onde vivem seus familiares, e que está em Campo Grande há cerca de oito meses, para onde se mudou para trabalhar.

 

Família cobra justiça – Na tarde de ontem, a irmã de Wilder conversou com o Campo Grande News e pediu justiça pela morte do eletricista. Lucimeire dos Santos afirmou que espera a responsabilização do motorista envolvido no acidente e disse que a família quer uma resposta da Justiça diante das circunstâncias do caso.

“Eu sei que nada vai trazer meu irmão de volta. Mas ele precisa pagar pelo que fez. O que eu quero é justiça”, desabafou a irmã, Lucimeire dos Santos.

A dor é ainda maior porque a despedida acontece justamente na semana em que Wilder passaria mais um Dia dos Pais ao lado da família. Ele deixa dois filhos: uma menina de 10 anos, em Campo Grande, e um rapaz que vive em São Paulo (SP), onde busca realizar o sonho de se tornar jogador de futebol. O jovem embarcou às pressas para Mato Grosso do Sul após receber a notícia da morte do pai.

“Meu sobrinho está vindo de São Paulo. Imagina chegar aqui para encontrar o pai desse jeito”, disse a irmã, emocionada.

Caçula da família, Wilder era conhecido por nunca recusar trabalho. Atuava como eletricista e também fazia instalação e manutenção de aparelhos de ar-condicionado. Segundo a irmã, era daqueles que saíam cedo de casa e só voltavam quando o serviço terminava.

“Ele era um homem trabalhador. Fazia de tudo. Sempre correu atrás das coisas dele. Era um pai presente, um homem de família”…. veja mais em https://www.campograndenews.com.br/cidades/capital/juiz-manda-soltar-motorista-bebado-envolvido-em-acidente-que-matou-eletricista

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