7 de maio de 2026

Rudel Trindade: “Já retiramos 15 mil veículos do Detran”

O diretor-presidente do Departamento Estadual de Transito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS), Rudel Espíndola Trindade Júnior, que voltou para a autarquia cerca de 20 anos depois, em entrevista exclusiva aos assinantes do Correio do Estado, falou sobre a  estrutura do órgão e a preocupação com a criação de facilidades no atendimento à população, como a recente implantação do novo portal de serviços Meu Detran, que aprimora a experiência do cliente na busca por serviços digitais.

 

Você acaba de retornar ao Detran depois de um longo tempo fora. Como encontrou a estrutura do órgão?

Fui diretor do Detran há 20 anos e naquela época tínhamos ai uma frota estimada de 400 mil veículos e você tinha um trânsito que era compatível com essa estrutura. Agora encontrei uma estrutura gigantesca e uma demanda maior ainda. Até porque hoje temos cerca de 1.6 milhão veículos no Estado e 1.2 milhão de portadores de CNH (Carteira Nacional de Habilitação). A dimensão do Detran mudou muito, se agigantou. Ou seja, se preparou sim para essa demanda, cresceu. Atualmente o Detran tem 1,1 mil funcionários e está nos 79 municípios do Estado. Só em Campo Grande, além de nossa sede, temos mais seis agências de atendimento. O que eu encontrei na realidade foi uma estrutura gigantesca e uma demanda maior ainda.

 

Já está no departamento há quatro meses. O que já conseguiu fazer nesse período?

Quando cheguei vi questões pontuais que a sociedade estava reclamando muito. Um deles eram os pátios lotados. Estima-se de tínhamos apreendidos no Estado, ocupando os nossos pátios, de 40 a 50 mil veículos. Isso estava causando um clamor na sociedade. Muita gente passava perto dos pátios reclamava, questionava, dizia que era um desperdício de recursos públicos, além de um foco de doenças e tal.

Nesses quatro meses que estou lá conseguimos estabelecer um procedimento mais rápido efetivo na remoção e leilões desses veículos. Lançamos aí um programa que chamamos de “Pátio Zero” que tem feito o maior sucesso. Tivemos um grande sucesso em Campo Grande, por exemplo, assim como em Corumbá. Aliás, Corumbá era uma situação seríssima, porque além de tudo ainda pega os carros apreendidos da Bolívia. Gerava um grande mal-estar na agência. Conseguimos resolver. Hoje a minha preocupação é Dourados. Lá também temos um volume muito grande de veículos. Além do nosso pátio, somos obrigados alugar três outros espaços. Temos um custo de aluguel desses pátios para dar conta. Vamos atacar com firmeza para resolver esse problema.

 

Afinal, quantos veículos já foram removidos dos pátios com esse programa?

Em quatro meses já retiramos do Detran mais de 15 mil veículos.  Para dar um exemplo, só em junho realizamos cinco leilões e arrecadamos perto de R$ 3,3 milhões. Qual a determinação do governador (Reinaldo Azambuja)? É pegar esses recursos e investir em reformas e ampliações de nossas agências no interior do Estado.  Isso vai trazer um novo ambiente de trabalho e de recepção aos usuários dos nossos serviços.

 

O departamento acaba de lançar um novo portal  de serviços. Vai melhorar o atendimento aos usuários?

Acabamos de lançar o portal de serviços Meu Detran, que aprimora a experiência do cliente na busca por serviços digitais. Vamos focar na área digital. A questão da pandemia nos levou a buscar mecanismos para que os clientes não viessem às agências. O portal facilita e oferece uma série de serviços inovadores que as pessoas podem fazer em casa. Desde que assumi a presidência do Detran venho tratando o tema ‘Detran Digital’ como prioridade. No entanto, a atual situação sanitária do País acabou demonstrando claramente a necessidade de intensificar a utilização de ferramentas digitais.

Nossas equipes não param de buscar melhoria e evolução para o Detran, principalmente nos canais digitais. Este novo portal é uma prova disso e com ele, vamos atender milhares de clientes trazendo retorno rápido e preciso.

 

Por falar em atendimento, como está a situação das auto escolas nesses tempos de pandemia?

Para atender a demanda atual, Centros de Formação de Condutores, o Detran credenciou seis empresas especializadas em aulas remotas, que devem começar a atuar nas próximas semanas, enquanto durar a emergência de saúde pública decorrente a pandemia da Covid-19. Em maio deste ano, o departamento saiu na frente e publicou portaria que regulamenta esses credenciamentos, após deliberação do Conselho Nacional de Trânsito. A possibilidade de realizar o curso à distância é um avanço tecnológico que já se mostrava importante antes da pandemia e que o intuito é que seja definitiva em Mato Grosso do Sul. Por isso elaboramos a portaria com os ajustes que consideramos necessárias para que isso seja possível, e enviamos manifestação ao Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) solicitando a permanência da modalidade, com os ajustes necessários, visando sempre a boa formação do condutor.

 

Como você está vendo a tramitação das alterações no Código Brasileiro de Trânsito?

Várias alterações estão sendo propostas, como a questão do uso da cadeirinha, pontuação por infrações na CNH, etc. Tenho visto algumas reclamações, mas não chego a ver a proposta como um afrouxamento, como muitos podem estar pensando. Posso até estar indo contra alguns companheiros técnicos de trânsito, mas precisamos olhar mais a sociedade. No exemplo do uso da cadeirinha, é essencial na segurança. A proteção das crianças e dos idosos é fundamental. Mas eu ainda estou sentindo a necessidade de regras e punições mais duras para os crimes de trânsito e rapidez nos processos. Muita gente reclama daqueles embriagados que matam no trânsito e logo são colocados em liberdade. A culpa não é do juiz, mas sim da lei que permite essas facilidades. É preciso endurecer as regras e as punições.

 

Para encerrar, Rudel, qual a sua preocupação à frente do Detran?

Tenho que destacar que vejo no Detran uma grande força de trabalho, apesar de sobre-carregada. Mesmo assim, a nossa preocupação é prestar um melhor atendimento aos clientes. Essa transformação de atendimento deve ser a nossa constante. Nisso vejo uma participação muito boa, principalmente no interior. Nossas agências no interior estão crescendo em qualidade. Vejo o pessoal muito focado no atendimento ao cliente. Hoje há uma preocupação em melhorar os serviços e proporcionar economia ao cidadão.

Fonte: Correio do Estado

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