Quarentena provoca queda de até 3 mil litros nas vendas de combustível

Bom para o meio ambiente, com menos poluição, ruim para a economia, com menos consumo. É assim, uma relação inversamente proporcional, o efeito quarentena onde a pandemia de coronavírus impõe ou recomenda ficar em casa. Em Campo Grande, o surto coletivo de estocar produtos não alcança o combustível e nem a máscaras utilizadas por frentistas atraem consumidores.

Há postos que estimam redução de até 3 mil litros nas vendas nos últimos dias. Ainda que a Petrobras tenha reajustado os preços, em queda, a lei da oferta e procura se impõe. O óleo diesel caiu 7,5% e a gasolina, 12%. Todos os preços são válidos a partir desta quinta-feira (19), ainda que demorem alguns dias para refletirem nos postos.

Em sete postos consultados pela reportagem – onde o preço da gasolina tem sido vendido entre R$ 4,29 e R$ 4,39 nesta manhã – o movimento é baixo e não há filas para abastecimento.

“Observamos uma redução nestes primeiros dias da semana, com fechamento de escolas, órgãos públicas. Caiu pela metade. O que o Sinpetro-MS está preocupado agora é em definir orientações para antecipação de férias de funcionários, atendimento em horários alternativos”, sinalizou o gerente executivo do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Lubrificantes e Lojas de Conveniência de Mato Grosso do Sul.

Para o dirigente, não há necessidade dos postos ficarem abertos até às 22h. “Falamos também em redução no quadro de funcionários, mas não em demissão, apenas revezamentos. E há possibilidade de fechamento no domingo, mantendo dois ou três postos abertos, porque é um serviço essencial. Só em Campo Grande são 148 postos de combustíveis”, alerta.

“São medidas que ainda serão conversadas com o sindicato laboral e, se definidas, devem começar a partir da semana que vem”, adiantou.

Em um dos postos da rede Shiraishi, no cruzamento da Avenida Manoel da Costa Lima com a Avenida Tyrson de Almeida, o gerente Marcio Oliveira afirma que as “portas abertas diárias” têm sido em vão. “O movimento diminuiu muito porque o movimento nas ruas diminuiu, o fluxo que tinha antes não tem mais”, lamentou.

Pelo receio das viagens, além dos deslocamentos urbanos, até as trocas óleo foram afetadas. “Nos outros dias havia média de 5 a 6 carros trocando óleo de manhã e não tem mais”, comentou, disse. “Começamos a sentir desde segunda-feira (16)”.

Em posto da rede Ipiranga na Avenida Bandeirantes, o gerente Ivo da Rocha afirma ter deixado de vender até 3 mil litros. “O relatório diário apontou queda, não só nesse posto. A gente conversa com outros gerentes onde ocorreram 2 a 3 mil litros a menos no volume de vendas, diferença grande”, apontou.

“Com a suspensão de aulas, caiu muito, os pais usam para levar os filhos, é um deslocamento diário, o posto sente”, comentou. “Aqui, de forma drástica, começou ontem. Não tem alternativa, vou torcer para passar logo”, concluiu.

A redução dos preços anunciada pela Petrobras nesta quinta, segundo Lazaroto, é “combinação de fatores”.   “A Petrobras vem reduzindo os preços gradativamente. Reduz nas refinarias e leva um tempo, de 7 a 10 dias, para refletir na bomba. Hoje teve nova redução. E o volume de vendas caiu, os tanques estão todos cheios, as pessoas não procuram os postos. Baixou a demanda também”, equacionou.

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