25 de setembro de 2026

Viúva do jornalista Leo Veras recebe novas ameaças de morte no Paraguai

A viúva do jornalista Leo Veras, que foi assassinado na região de  com o  há cerca de cinco anos, denunciou que recebeu novas ameaças de morte, no início da noite deste sábado (30).

Por meio de mensagens enviadas via whatsapp, Cíntia Gonzales relatou o caso e pediu novamente ajuda a uma pessoa, que seria autoridade paraguaia.

“Oi (…) tudo bem?  Hoje, às 6:09 da tarde, eu recebi uma mensagem de ameaça de morte e agora ‘tô’ aqui na Comissaria do meu Bairro fazendo a denúncia! E eu espero o apoio de vocês aí, tá, por favor!”

Em reportagem exclusiva ao Jornal Midiamax, a viúva de Leo Vera relatou os momentos de pânico e temor após as denúncias que fez. Cíntia afirma que tem vários áudios que, segundo ela, comprovam suas alegações e a necessidade urgente de amparo.

Ela descreveu situações precárias enfrentadas no passado, incluindo a necessidade de fornecer recursos básicos, como combustível, para a Polícia Nacional de Pedro Juan Caballero, a fim de garantir sua própria segurança.

“Eu tinha que dar 50 mil guaranis para colocar o combustível no carro da polícia, para me acompanhar até o cemitério, porque não tinha carro”, revela, ilustrando a vulnerabilidade em que se encontrava.

Leia abaixo a reportagem exclusiva do Midiamax realizada em 26 de julho deste ano

A busca por proteção se intensificou após a utilização de áudios seus em rádios locais, em um contexto que a expôs ainda mais. Cíntia Gonzales relata ainda, que além do pedido de proteção, deve entrar com um processo contra o Estado. “Já passei por muitas coisas que não quero passar mais. Eles [autoridades] precisam fazer alguma coisa”, afirma a viúva.

‘Eu preciso que os sindicatos, os jornalistas se coloquem um pouco no meu lugar‘

Durante a entrevista, a viúva de Leo Veras também pediu apoio aos jornalistas paraguaios e que entendam o momento pelo qual está passando. “Eu preciso que os sindicatos, os jornalistas se coloquem um pouco no meu lugar, olhem um pouco como que fica uma família depois do que aconteceu”.

Cíntia faz comparações com o Brasil e acredita que a situação seria diferente. “Se o caso tivesse acontecido no Brasil, seria tão diferente. Eu acho, porque eu fiquei muito sozinha até hoje. E eu estou cansada desse tipo de situação, o próprio Santiago [deputado] é jornalista. Muita gente só quer se aproveitar da história do Leo. Nesse tempo todo, o sindicato dos periodistas paraguaios nunca se manifestou”.

Segundo ela, as pessoas falam alguma coisa no começo, depois esquecem. “Aí vem outra morte de outro jornalista. Depois do Leo, já morreram mais dois, três jornalistas”.

Entretanto, do lado brasileiro, a investigações sobre a morte de Leo Veras, que tinha dupla nacionalidade, sempre foi questionada.

Diante das repercussões sobre as denúncias de Cíntia Gonzales, o Sinjorgran (Sindicato dos Jornalistas Profissionais na Região da Grande Dourados) manifestou “profunda preocupação com a falta de avanços na investigação do assassinato do jornalista Leo Veras, ocorrido há cinco anos.

Confira, abaixo, a íntegra da nota enviada pelo presidente da entidade, Flávio Verão:

Sinjorgran cobra avanços na investigação do assassinato do jornalista Leo Veras

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais na Região da Grande  (Sinjorgran) manifestou profunda preocupação com a falta de avanços na investigação do assassinato do jornalista Leo Veras, ocorrido há cinco anos. O sindicato ressalta que o caso permanece cercado de dúvidas e perguntas sem resposta.

Nos últimos dias, surgiram novas denúncias envolvendo suposta manipulação do processo judicial e possível participação de membros do Congresso Nacional Paraguaio no encobrimento do crime. O Sinjorgran exige atenção imediata das autoridades do Paraguai e do Brasil para essas revelações.

Leo Veras, que possuía dupla cidadania e cobria temas sensíveis relacionados ao narcotráfico na fronteira, era constantemente ameaçado. O Sinjorgran tem acompanhado o caso desde o início e cobra das autoridades uma resposta efetiva para que o crime não fique impune.

O sindicato reitera que a morte de um comunicador representa uma grave ameaça à liberdade de imprensa e ao direito da sociedade à informação. É imprescindível que o assassinato de Leo Veras seja investigado com seriedade e celeridade, e que os responsáveis sejam punidos conforme a lei.

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