8 de maio de 2026

Violência contra mulher bateu recorde em 2023, mas 2024 já supera em número feminicídios

Números de violência contra a mulher em Mato Grosso do Sul continuam crescentes. Dados do Observatório da Mulher de Campo Grande, apontam que 2023 foi o maior, em 10 anos, com casos de denúncias de violência doméstica, mais de 20 mil casos.

Além disso, a violência psicológica dobrou de um ano para o outro. Apesar de não constar nos dados do Observatório, em 2024 o número de feminicídios já superou o do ano passado, faltando ainda um mês para o ano acabar. Até o momento, foram registrados 31 feminicídios, 80 tentativas e 51 vítimas de homicídio.

Sobre os crimes mais graves, para se ter ideia, este ano, até o dia 19 de novembro, Mato Grosso do Sul registrou 78 tentativas de feminicídio e 30 feminicídios consumados. Desses, Campo Grande foi palco de 15 tentativas e 9 feminicídios consumados.

Os dados analisados pelo Observatório mostram que, em 2022, 77 mulheres foram vítimas de homicídio no Estado e 44 de feminicídio. Outras 127 quase perderam a vida. Já em 2023, foram 51 vítimas de homicídios, 30 de feminicídio e 125 que quase perderam a vida.

Em 2023, 20.788 mulheres registraram ter sofrido algum tipo de violência doméstica. Este ano já são 17,6 mil até o momento.

Casos de ameaça, por exemplo, foram 16.052 em 2022 e 17.544 no ano de 2023, um aumento de 9,29%. O crime de stalking, ou perseguição, apesar de ter uma pequena redução, ainda é preocupante. Em 2022, 1.338 mulheres de MS relataram terem sido vítimas de perseguição. Em 2023, foram 1.223.

Crimes de estupro também tiveram aumento no Estado e em Campo Grande. Em 2022, MS registrou 2.156 casos e 2.471 no ano seguinte. Já na Capital, o crime saltou de 640 para 688, isso sem contar as vítimas crianças e adolescentes.

O crime contra crianças e adolescentes, chamado de estupro de vulnerável, também subiu de 2.073 para 2.325. Importante frisar que o Observatório não conseguiu separar os casos de crianças e adolescente por sexo nesses anos anteriores.

Porém, os números relacionados a 2024 mostram que 1.749 mulheres foram vítimas de estupro em Mato Grosso do Sul, sendo 451 em Campo Grande. Vítimas estas, que podem ser adultas, crianças ou adolescentes que se encontravam em situação vulnerável.

A análise ainda indica que 2024 pode terminar com quantidades equiparadas ou maiores de ocorrências, já que a violência contra as mulheres tem se mostrado profundamente enraizada nas estruturas patriarcais da sociedade como expressão de controle e poder, e ou tem aumentado como resposta e resistência aos avanços dos direitos e da igualdade de gênero, buscando revertê-los.

Violência psicológica

Já ‘invisível’ aos olhos dos que estão de fora e às vezes até mesmo da própria vítima, a violência psicológica, dobrou de um ano para o outro. Em 2022, foram registrados 399 casos, enquanto em 2023 o número saltou para 602, ou seja, 50,88%.

A violência psicológica também pode ser chamada de ‘agressão emocional’. A Lei Maria da Penha a descreve como sendo condutas que causem danos emocionais em geral ou atitudes que tenham objetivo de limitar ou controlar suas ações e comportamentos, através de ameaças, constrangimentos, humilhações, chantagens e outras ações que lhes causem prejuízos à saúde psicológica.

Trata-se de uma forma de violência de difícil identificação, pois o dano não é físico ou material. Muitas vítimas não se dão conta de que estão sofrendo danos emocionais.

Por exemplo, podem caracterizar violência psicológica atos de humilhação, desvalorização moral ou deboche público, assim como atitudes que abalam a autoestima da vítima e podem desencadear diversos tipos de doenças, tais como depressão, distúrbios de cunho nervoso, transtornos psicológicos, entre outras.

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