8 de maio de 2026

PGR denuncia deputado Trutis ao STF por forjar atentado contra si em 2020

O deputado federal Loester Trutis (PSL-MS) foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República pelos crimes de comunicação falsa de crime, porte ilegal de arma de fogo e disparo de arma de fogo. Trutis é acusado pela PGR de ter forjado o próprio atentado à bala, em 16 de fevereiro de 2020, na BR-060, entre Campo Grande e Sidrolândia.  

Se aceita a denúncia pelo Supremo Tribunal Federal (STF) Trutis deverá tornar-se réu pela prática destes crimes. A investigação começou imediatamente após o atentado, após Trutis ir às redes para denunciar que o carro em que ele e sua equipe estavam, havia sido alvo de um atentado a tiros. Nenhum deles se feriu na ocasião.  

Na ocasião, o próprio Trutis foi à Superintendência Regional da Polícia Federal, em Campo Grande, denunciar a suposta tentativa de homicídio. A investigação, que começou para tentar identificar quem teria tentado matar o deputado que está em seu primeiro mandato, porém, converteu-se em uma investigação para investigar se Trutis teria forjado o próprio atentado, o que a PF veio a comprovar em novembro do mesmo ano, após desencadear uma operação em que foram alvos o deputado federal e seus assessores.  

A denúncia encaminhada ao STF é assinada pelo vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, conforme informou o portal G1.  “O que de fato ocorreu foi uma verdadeira simulação de tentativa de homicídio, na qual o parlamentar (A) e seu assessor (B), portando irregularmente arma de fogo de uso permitido, efetuaram disparos em via pública (estrada vicinal adjacente à Rodovia BR, 060) contra o veículo”, afirmou Jacques.

Medeiros ainda disse que, “ambos tiveram protagonismo na empreitada criminosa e concorreram igualmente para a prática dos delitos”.

Para Jacques, Trutis fez uso político do suposto atentado, sobretudo por fazer várias postagens relacionando o atentado que supostamente sofrera com a bandeira da flexibilização do uso de armas.  

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“Assim, considerando que o porte de arma é uma pauta política defendida intensamente pelo deputado Loester Trutis; o parlamentar, ao noticiar o episódio, atribui ao porte de arma a ausência de lesões e, até mesmo, o escape da “morte”; e, ainda, ele aduz ter sido “vítima’ em razão de embates políticos no Estado de representação, vislumbra-se a conexão dos fatos apurados com a atividade parlamentar”, escreveu.

Todas as vezes em que foi procurado pelo Correio do Estado, Trutis disse que o deputado disse que o inquérito tem motivação política. “A investigação é cheia de erros grosseiros o que leva a acreditar que também há interesse em proteção do verdadeiro culpado”, alegou Trutis.

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