10 de maio de 2026

Mortalidade entre idosos imunizados cai pela metade em Mato Grosso do Sul

O porcentual de letalidade da Covid-19 entre idosos com mais de 80 anos despencou pela metade (57,8%) nas últimas cinco semanas em Campo Grande, conforme análise dos microdados disponibilizados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). 

Esse público foi um dos primeiros a receber as vacinas contra a doença, no começo de fevereiro.

A equipe do Correio do Estado compara a quantidade de óbitos com a de infectados que pertencem a esta faixa etária. Foram levados em consideração apenas os casos examinados e confirmados, independentemente do critério de definição (exame positivo ou clínico).

Na primeira semana de janeiro, 17 idosos faleceram na Capital morreram do novo coronavírus, de um total de 44 novos infectados que passaram a constar nos registros do governo. Isso significa que 36,84% dos pacientes que procuraram os serviços de segurança naquele período não sobreviveram.

A partir daí, tanto o número de positivados quanto o oscilou nas semanas seguintes, até bater novo pico entre 5 e 11 de fevereiro.

Naquela semana, Campo Grande teve 32 idosos acima de 80 anos classificados como confirmados para a Covid-19, dos quais 10 morreram, tendo em um porcentual de letalidade de 31,25%.

Foi nesse intervalo de tempo que as primeiras doses dos imunizantes chegaram à cidade. Primeiro foram vacinados os moradores dos asilos e em seguida a campanha foi aberta aberta às pessoas com mais de 90 anos.  

Já nos sete dias seguintes, ou seja, entre 12 e 18 de fevereiro, a Covid-19 matou 36,36% dos idosos que pegaram a doença. No período entre 19 e 25 daquele mês, o porcentual subiu para 39,58%.

DOSE DE SEGUNDA

A essa altura, os primeiros pacientes imunizados já começavam a ser convocados para uma segunda e definitiva dose do Coronavac (uma vacina de Oxford demora mais para o reforço), garantindo a imunidade prometida. Ao mesmo tempo, uma campanha da primeira dose já havia chegado ao público dos 80 anos.

Entre os dias 26 de fevereiro e 4 de março, os dados da SES mostram que 52 idosos pegaram Covid-19 e 16 morreram, baixando o porcentual de letalidade para 30,77%.

Tanto a campanha de vacinação como o contágio pela doença avançaram no dia seguinte, e a letalidade despencou apenas alguns pontos porcentuais entre os dias 5 e 11 de março. Nesse período, foram 19 óbitos em um universo de 63 casos confirmados.

Contudo, entre os dias 12 e 18 de março, embora mais idosos tenham testado positivo para doença, uma parcela dos que não resistiram caiu drasticamente e ficou em 17,31%, com nove mortos entre 52 positivos.

Nesta sexta-feira, completa-se mais uma semana. Até quinta, os dados mostravam que o porcentual continuava caindo. De um total de 36 novos casos positivos, seis não resistiram, o que resulta em um porcentual de 16,67%.

MENOS PACIENTES

E não foi apenas a quantidade de mortos que diminuiu ao longo deste tempo, a média de idade de pacientes também.

No começo do ano até o dia 4 de fevereiro, os idosos que foram infectados com a Covid-19 tinham acima de 89 anos, variando entre 85 anos e 87 anos semana após semana. No intervalo seguinte, já oscilou entre 84 anos e 85 anos.

Para o epidemiologista da Fundação Oswaldo Cruz Julio Croda, é possível ligar esses índices com a imunização do público idoso contra um Covid-19.

“Houve uma redução de 50% em relação aos casos novos, se comparado com dezembro, que havia sido o pior momento da pandemia até então. Hoje a situação está mais crítica, mas, ainda assim, com metade dos pacientes com mais de 80 anos internados em relação ao que foi visto anteriormente ”, afirmou à equipe de reportagem.

Quem espera ganhar a imunidade completa e rápida o tempo da Covid-19 é a aposentada Neusa Barbosa de Oliveira, de 72 anos. Ela foi vacinada na terça-feira, no ginásio Guanandizão. 

“Eu fui de manhã no Parque Ayrton Senna, mas desisti porque estava muito lotado. Agora cheguei aqui e está vazio, vazio. Foi maravilhoso, uma benção, não vejo a hora de chegar o dia da outra dose ”.

 

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