28 de setembro de 2026

TVs e rádios católicas devem se alinhar à Igreja, diz presidente da CNBB

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo, defendeu o alinhamento das TVs e rádios de inspiração católica à doutrina da Igreja. Arcebispo de Belo Horizonte (MG), d. Walmor sustenta, em artigo, que os veículos não se equiparam a um “negócio particular” e, caso atuem de forma isolada, correm o risco de fazer “escolhas equivocadas” e “propor o que não condiz com as lições de Jesus Cristo”.

O arcebispo diz que o serviço de comunicação católico enfrenta desafios de um contexto sociopolítico “contaminado pelas disputas de poder, busca pela efetivação de domínios e acúmulo de dinheiro”. Ele condena “superficialidades e invencionices” e pede tratamento adequado a personalismos alimentados por “desvios religiosos nefastos”.

“O envolvimento de diferentes atores no processo comunicacional das mídias católicas, com as suas especificidades, nuances e impostações, não pode dispensar o alinhamento doutrinal com a Igreja e, consequentemente, o compromisso com a evangelização. Não são permitidas superficialidades ou invencionices na comunicação da Igreja que possam desfigurar a beleza e a inteireza da fé cristã católica. Arriscados personalismos, alimentados por desvios religiosos nefastos, merecem adequado tratamento”, escreveu o clérigo, em artigo publicado pela CNBB neste sábado, dia 13.

“A Igreja Católica, com seus meios de comunicação – televisivos, radiofônicos, impressos, digitais, em redes – interage com os muitos fluxos relacionais da sociedade. Enfrenta batalhas, interesses e até mesmo embates desiguais. A Igreja enfrenta essa luta valendo-se de plataformas e mecanismos que ecoam a fé cristã. Um caminho desafiador que não pode ser trilhado isoladamente, compreendendo a comunicação católica como negócio particular, sob pena de se perder rumos, fazer escolhas equivocadas e, até por desespero, propor o que não condiz com as lições de Jesus Cristo.”

O artigo do arcebispo é uma reação à oferta de apoio ao governo Jair Bolsonaro, vinda de dirigentes rádios e TVs de inspiração católica, com pedido ao presidente pela ampliação do alcance de suas redes de radiodifusão e por verbas, na forma de publicidade estatal. Revelado em reportagem do Estadão, o flerte de padres e leigos com o presidente, durante uma videoconferência, causou repercussão na Igreja e explicitou divergências no episcopado. A reunião ocorreu por iniciativa do governo, que busca reforçar laços para conter o desgaste da imagem do presidente – a CNBB não foi convidada pelo Palácio do Planalto e considerou que houve “barganha”.

Para d. Walmor, a Igreja deve incentivar o uso dos meios de comunicação, mas iniciativas de diferentes setores católicos não significam “investir em um empreendimento privado, menos ainda em constituir um negócio rentável”. O arcebispo diz que os veículos católicos devem se reger “no horizonte evangelizador que norteia o caminho missionário da Igreja, o que inclui balizar conteúdos e práticas comunicacionais a partir de princípios inegociáveis”.

Dom Walmor age para tentar apaziguar animosidades entre alas do clero, já que, entre os bispos, houve manifestação de apoio e também cobrança de punição aos envolvidos na reunião com Bolsonaro. O arcebispo fez menção à necessidade de manter a comunhão entres sacerdotes, leigos e organizações ligadas à Igreja, como forma de “corrigir descompassos. Ele já havia realizado uma reunião com a Pastoral da Comunicação e os bispos superiores dos padres que indicaram apoio e fizeram demandas a Bolsonaro, para tentar contornar um risco de ruptura.

“A Igreja Católica tem parâmetros e mesas de diálogo para fomentar a indispensável comunhão. A comunhão, que faz parte da vida da Igreja, é força com propriedade de amalgamar as diferenças, tornando-as uma grande riqueza, com elementos que corrigem descompassos e iluminam caminhos. A realidade atual, seus embates e até mesmo equívocos apontam lições nesse contexto que precisam ser aprendidas, para novas configurações estratégicas”, defendeu.

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