27 de setembro de 2026

Conversas revelam esquema organizado entre traficantes e delegado para desvio de cocaína

O documento do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) que baseou o cumprimento de 24 mandados de prisão preventiva e dois temporários na Operação Infiltradas revela que os policiais tinham esquema organizado com traficantes sobre entregas e pagamentos das drogas.

Diálogos ocorridos em 2022 entre traficantes, que eram responsáveis por revender os entorpecentes adquiridos por meio dos policiais — em sua maioria civis —, revelam que existia um esquema organizado e uma dinâmica de fornecimento imposta pelos agentes. Conforme as informações, para a liberação de novas cargas de drogas, exigia-se o pagamento integral de remessas anteriores.

“E aí, mané, deixa eu falar para você. Oh, viad*, cê não vai mandar o bagulho aí, não? O cara tá me cobrando aqui, mané, tá ligado? Ele quer trazer mais aqui, mas tem que acertar o bagulho, aí eu fico dependendo de você, tá ligado?“, teria dito Lucas.

Conforme o Gaeco, existia preocupação com a iminente indisponibilidade dos ilícitos. No entanto, os policiais civis mantinham estoque para entrega imediata, e a disponibilidade decorria do próprio acervo de drogas apreendidas, mantido em estoque contínuo e sob custódia estatal.

Férias

Ainda naquele ano, ‘LK’ enviou áudios nos quais enfatizou a urgência em pagar os policiais civis pelo fornecimento de cocaína, em razão do período de férias. “Para, mané, para de mula, tira o é da nossa janta. Nós temos que pagar lá o bagulho, v*ado, entendeu? Os cara vai entrar de férias, mané, essa semana, acho que quinta-feira eles entra de férias, mané […].”

Ao Jornal Midiamax, a defesa de Lucas, representada pelo advogado Tiago Bunning, informou que Lucas da Silva já estava preso preventivamente e respondendo a uma ação penal. Com isso, não existem fatos novos que justifiquem uma nova prisão, sobretudo de seus familiares.

Operação Infiltrados

A Operação Infiltrados, do Gaeco, investiga um esquema de desvio de drogas apreendidas por agentes de segurança, principalmente cocaína. Segundo o MPMS, parte dos entorpecentes seria omitida dos registros ou retirada de depósitos policiais e depois repassada a traficantes para retornar ao mercado ilegal. A investigação começou em outubro de 2025.

As investigações foram iniciadas em outubro de 2025, a partir de provas descobertas nas operações Traquetos e Blindspot, que revelaram, segundo o MPMS, a participação de vários policiais em um esquema de desvio de drogas, especialmente cocaína.

(Foto: Leo de França, Jornal Midiamax)

Desvio de drogas

Segundo o MPMS, o modus operandi adotado pela organização criminosa consistia no desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais, seja por meio da omissão — nos registros formais — de parte da droga efetivamente arrecadada, seja pela subtração de entorpecentes diretamente do depósito da delegacia.

Segundo a investigação, os policiais suspeitos de integrar a organização criminosa se valiam de suas funções públicas exercidas no combate à criminalidade para atuar como fornecedores para o tráfico.

Populares da Semana

Corpo de homem é encontrado carbonizado e com as mãos amarradas em Campo Grande

O corpo de um homem, ainda não identificado, foi encontrado...

Eldorado dá início as ações do Outubro Rosa

Em Eldorado foi dada a largada para o Outubro...

Militar do Exército toma tiro durante perseguição em Campo Grande

Um militar do Exército, de 20 anos, foi baleado...

Por que um parlamentar pode ser eleito com menos votos que outro candidato?

Receber mais votos que um concorrente nem sempre garante...

Professor Rinaldo Modesto reúne lideranças políticas em Mundo Novo

O candidato a deputado estadual Professor Rinaldo Modesto esteve...

Lidio Lopes lidera no Avante com 2% dos votos

O deputado estadual Lidio Lopes continua na liderança isolada...

Paulo Corrêa lidera no PL com 2.30% dos votos

A uma semana das eleições, o deputado estadual Paulo...

Artigos Relacionados

Categorias Populares