Mato Grosso do Sul concentra a terceira maior população indígena do Brasil. No entanto, apenas 41 candidatos pertencentes aos povos originários foram eleitos nos últimos 10 anos no Estado. Os dados são do Observatório da Cidadania de Mato Grosso do Sul e correspondem ao período entre 2014 e 2024.
Durante o período, o Estado contabilizou 676 candidaturas indígenas, ou seja, apenas 6% desse total conseguiram se eleger. O número de candidaturas representa, ainda, uma taxa de apenas 2,7% em relação ao total de candidatos registrados.
Além disso, todos os representantes de povos originários foram eleitos para atuarem nas câmaras de vereadores no interior do Estado, evidenciando que as candidaturas indígenas não tiveram nenhum avanço para conquistar representação efetiva nos Poderes Executivo e Legislativo na última década.
Em âmbito nacional, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contabilizou mais de 1,6 milhão de candidaturas, das quais apenas 6,9 mil foram de pessoas autodeclaradas indígenas, o que representa 0,43% dos candidatos registrados nas eleições brasileiras.
Embora Mato Grosso do Sul esteja acima do percentual nacional de participação indígena nas disputas eleitorais — com 2,7% contra os 0,43% da média do país —, os dados do Observatório apontam que a presença indígena nos espaços de decisão política ainda é reduzida, uma vez que menos de 10% dos candidatos conseguiram se eleger.
A participação eleitoral é considerada um importante indicador de inclusão democrática, especialmente em um estado que abriga uma das maiores populações indígenas do país, formada por diferentes povos, como Guarani, Kaiowá, Terena, Kadiwéu, Kinikinau, Ofaié, Guató, entre outros.
