12 de maio de 2026

Facções criminosas fazem parte da rotina de 4 em cada 10 brasileiros, aponta pesquisa

Pesquisa divulgada neste domingo (10)  pelo Fórum Brasileiro da Segurança Pública em parceria com o Datafolha constatou que 4 em cada 10 brasileiros com 16 anos ou mais (41,2%) reconhecem a presença de grupos organizados ligados ao tráfico ou a milícias em seus bairros, cerca de 68 milhões de pessoas em todo o país.

Conforme o levantamento, o fator crime organizado no bairro de residência amplia a vitimização, interfere nas regras de convivência, altera sociabilidades e restringe a confiança nas instituições [de segurança pública].

Em termos analíticos, isso sugere, segundo o levantamento, que a atuação desses grupos não é percebida como fenômeno excepcional ou restrito a áreas muito específicas, mas como uma experiência socialmente
disseminada, que já integra o horizonte de insegurança de uma parte expressiva da população.

Quanto ao recorte territorial, o levantamento destacou que a percepção da presença desses grupos
é maior em grandes cidades: nas capitais, 55,9% afirmaram haver crime em sues bairros.

Em linhas gerais, a presença percebida é maior onde há maior densidade urbana, mercados ilícitos mais robustos, disputas territoriais mais intensas e maior capacidade desses grupos de ordenar a vida local.

Apesar de atuar nos grandes centros, ao longo dos últimos anos, o crime organizado no Brasil
deixou de ser um fenômeno concentrado nas grandes capitais e passou a operar por difusão
territorial, capilarização e interiorização.

“Facções como Comando Vermelho e PCC, que nasceram grandes centros urbanos, como Rio de Janeiro e São Paulo, expandiram sua atuação para cidades médias e pequenas, valendo-se de”rotas logísticas, alianças com grupos locais, dinâmicas prisionais e inserção em mercados ilícitos e lícitos.”, traz o documento.

Segundo a pesquisa, esse movimento acompanha uma série de transformações nas dinâmicas criminais, que passa pelo processo de nacionalização de ambos os grupos entre o final dos anos 1990 e início dos anos 2000, a circulação de lideranças pelos presídios federais a partir de 2006, e a ruptura entre os dois grupos entre
2016 e 2017, que acelerou disputas territoriais, gerou a busca por novas rotas para o transporte da droga e reconfigurou a relação das maiores facções com grupos criminosos locais.

MS
Um lavantamento realizado pelo O Globo em agosto de 2025 destacou que Mato Grosso do Sul conta atualmente com pelo menos 10 facções criminosas e ocupa 3ª posição no ranking de estado com maior número de grupos criminosos em atividade. Em nível nacional, o país conta 64 facções espalhadas pelas 27 unidades da federação, com menor ou maior tamanho e influência sobre a sociedade.

Conforme o levantamento, em números de facções, Mato Grosso do Sul está atrás apenas da Bahia e Pernambuco, com 17 e 12 facções, respectivamente. Os dados foram coletados junto a fontes das secretarias de Segurança Pública, Administração Penitenciária e Ministérios Públicos de todos os estados.

Das dez facções em atuação em MS, apenas uma é de origem sul-mato-grossense, sendo a Okaida, enquanto as demais são ramificações e núcleos de grupos que tem como origem outros estados.

Enquanto os dois do Nordeste têm um cenário fragmentado, com muitas facções locais disputando espaço, o território sul-mato-grossense é o maior “importador” de facções de outros estados. Conforme O Globo, a rota do narcotráfico que passa pela fronteira com o Paraguai e a Bolívia estimulou nove das 12 facções interestaduais a criarem núcleos de atuação no Estado.

As facções criminosas em atuação em Mato Grosso do Sul são:
Okaida
Primeiro Comando da Capital (PCC)
Comando Vermelho (CV)
Amigos do Estado (ADE)
Bonde do Maluco (BDM)
Terceiro Comando Puro (TCP)
Primeiro Grupo Catarinense (PGC)
Bala na Cara (BNC)
Os Manos
Cartel do Sul (CDS)
A Okaida aparece na lista como facção local, enquanto as demais são “importadas”, sendo o PCC com sede em São Paulo e presença em 25 estados; CV do Rio de Janeiro e presença em 25 estados; ADE de Goiás com núcleos em MS e TO; BNC com sede no RS e núcleo em MS e SC; PGC de Santa Catarina e núcleo em MS e PR; TCP do Rio com núcleos em MS, ES, MG e SP; CDS do Paraná e núcleo em MS e Os Manos, do Rio Grande do Sul com núcleos em MS e SC.

Guerra do tráfico
Apesar da diversidade de grupos criminosos, as duas maiores facções do País, PCC e Comando Vermelho, também são as principais no Estado.

Conforme reportagem do Correio do Estado, a popularização da cocaína e a consequente redução do preço no mercado interno acirrou a guerra para tomar o controle das rotas de tráfico na região de fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai e a Bolívia.

E é por causa desse “mercado aquecido” que as duas maiores facções criminosas do País, Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), têm travado uma guerra sangrenta em Mato Grosso do Sul.

Em alguns casos, a população pode estar se referindo a grupos locais menores, como gangues
envolvidas com o comércio varejista de drogas, cuja atuação é percebida no cotidiano por meio de pontos de venda de drogas e, eventualmente, pela circulação de pessoas armadas.

Em outros, porém, essa resposta pode remeter a contextos de presença mais explícita e estruturada de facções ou milícias, com controle territorial armado mais visível, com a presença de barricadas para impedir a entrada da polícia, imposição de regras sobre horários e circulação e restrição do ir e vir.

Leia mais em: https://correiodoestado.com.br/cidades/faccoes-criminosas-fazem-parte-da-rotina-de-4-em-cada-10-brasileiros/466376/

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