O que poderia ser apenas sobra de alimentos virou matéria-prima para um projeto criado por estudantes da Escola Municipal Agrícola Barão do Rio Branco, em Campo Grande. Ao perceberem que havia excesso de soro e nata, as alunas Marcella Rocha e Isabelly Vitória, ambas de 13 anos, tiveram a ideia de transformar os produtos em uma vela de manteiga com requeijão.
A criação é uma das iniciativas apresentadas por estudantes durante a Expo Campo das Escolas Rurais da Reme (Rede Municipal de Educação), que reúne 10 escolas rurais da Capital. O evento apresenta projetos desenvolvidos dentro das unidades e produtos feitos pelos próprios alunos, com propostas que passam por produção de alimentos, plantas medicinais, criação de animais e empreendedorismo.
“A gente tava percebendo que tava sobrando muito soro, muita nata. A gente pegou e pensou em fazer essa vela maravilhosa”, conta a estudante Marcela.
“Ela falou: que tal uma vela de manteiga com requeijão? E daí a gente foi melhorando as ideias e chegou nesse produto”, explicou.

Segundo o aluno, os projetos permitem que os estudantes conheçam as plantas desde o cultivo e entendam como elas podem ser utilizadas na produção de diferentes itens, o que resultou na criação de um pirulito de mel.
“Ele é rico em própolis também, como um anti-inflamatório, assim, pra gripe ali, e ajuda também”, explica.
Na Escola Municipal Agrícola Leovegildo de Melo, o foco também está em mostrar aos alunos que a produção rural pode ser uma alternativa para o futuro. Um dos projetos desenvolvidos neste ano trabalha com a criação de ovinos da raça Dorper, no assentamento Estrela Campo Grande.
De acordo com a diretora da escola, Loides Cesario, estudantes do 6º ao 9º ano participam diretamente das atividades. A proposta é ensinar desde os cuidados com os animais recém-nascidos até a criação e a possibilidade de transformar a atividade em fonte de renda.
“Eles podem ter esta criação nos seus lotes de assentados e viver da terra, para não precisarem se deslocar do campo para a cidade”, explicou.

Abner, um dos estudantes envolvidos na criação de carneiros Dorper, já apresentou o trabalho em universidades como UFMS e UEMS e participou de atividades em diferentes municípios de Mato Grosso do Sul.
Para a diretora, a experiência une educação, trabalho e empreendedorismo, mostrando aos estudantes que aquilo que aprendem na escola pode ser aplicado diretamente na propriedade rural.
“Ele é um projeto para o empreendedorismo, para ensinar nossas crianças lá no Assentamento Estrela Campo Grande, que elas podem ter esta criação nos seus lotes de assentados e viver da terra, para não precisarem se deslocar do campo para a cidade. Esse é o objetivo principal, além de conhecer a origem, de onde vêm, os cuidados, as alimentações, e eles trabalham com as ovelhas desde o nascimento”, conta a diretora.
A proposta das escolas também é fazer com que o conhecimento ultrapasse os muros das unidades. Os alunos aprendem os cuidados com a produção e podem levar esse conhecimento para os próprios lotes e propriedades das famílias. Na Feira do Campo, além de apresentar os projetos, algumas escolas comercializam produtos feitos pelos estudantes. A atividade permite que os alunos tenham contato com etapas que vão desde a produção até a apresentação e venda dos itens.
A prefeita Adriane Lopes afirmou que a proposta é fortalecer as escolas rurais para que os estudantes conheçam a produção desde cedo e possam enxergar possibilidades de permanecer no campo. Segundo ela, a ideia é mudar uma lógica antiga em que o estudante precisava deixar a área rural para buscar oportunidades na cidade.
“Nós estamos fazendo o caminho inverso, fortalecendo as escolas do campo para que as crianças se desenvolvam, produzam, aprendam na escola, que venham para a cidade para estudar, mas para voltar para o campo”, afirmou.
“Hoje, aqui, eles não estão só apresentando seus projetos; muitas escolas aqui estão comercializando produtos que são produzidos pelas crianças nas escolas, com todo o rigor que é necessário e acompanhamento, né, da Vigilância Sanitária, de todas as regras. Eu acredito que o fortalecimento das escolas do campo fortalece a nossa cultura. Campo Grande é uma cidade que é a capital do agronegócio, e a gente precisa fortalecer as bases, começando na educação”, finaliza a prefeita.

