O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, conhecido entre os traficantes como ‘Careca’, utilizou o dinheiro oriundo do desvio de cocaína apreendida pela Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico) para construir uma mansão no condomínio de alto padrão Alphaville I, em Campo Grande. A planilha dos gastos com a construção registrou que a aquisição de eletrodomésticos de luxo da marca Elettromec chegou a R$ 190 mil.
Em uma busca rápida no Portal da Transparência, com base na competência com referência ao mês de agosto, o delegado de Polícia recebeu R$ 30.606,92 de salário; no entanto, sua remuneração fixa, aquela sem descontos, é de R$ 39.943,99.
As planilhas da construção revelaram os registros de pagamentos da mansão. Somente o custo do acabamento da obra estava estimado em mais de R$ 1,6 milhão. Deste montante, mais de R$ 1,2 milhão foi efetivamente pago entre 21 de março de 2025 e abril de 2026, com intervalo de pouco mais de um ano.
Para o Gaeco, chamaram atenção seis gastos específicos, que são eles:
- Sistema de ar-condicionado: R$ 81 mil;
- Elevador: R$ 89 mil;
- Sistemas de automação: R$ 170 mil;
- Eletrodomésticos de luxo: R$ 190 mil;
- “Madeiras”: R$ 300 mil;
- Churrasqueira: R$ 21 mil.
Durante o raio-x da situação financeira de Hoffman, é apontado que, em sua última declaração de imposto de renda, neste ano de 2026, ele informou rendimentos de aproximadamente R$ 519 mil no ano-calendário de 2025. Em comparação, desembolsou, em pouco mais de um ano, mais de R$ 1,2 milhão apenas com os itens registrados na planilha — montante superior ao dobro de toda a sua renda anual declarada.
A Operação Infiltrados, do Gaeco, investiga um esquema de desvio de drogas apreendidas por agentes de segurança, principalmente cocaína. Segundo o MPMS, parte dos entorpecentes seria omitida dos registros ou retirada de depósitos policiais e depois repassada a traficantes para retornar ao mercado ilegal. A investigação começou em outubro de 2025.
A operação cumpriu 24 mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisão temporária e 38 de busca e apreensão nas cidades de Campo Grande, Dourados e Terenos.
As investigações foram iniciadas em outubro de 2025, a partir de provas descobertas nas operações Traquetos e Blindspot, que revelaram, segundo o MPMS, a participação de vários policiais em um esquema de desvio de drogas, especialmente cocaína.
Segundo o MPMS, o modus operandi adotado pela organização criminosa consistia no desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais, seja por meio da omissão — nos registros formais — de parte da droga efetivamente arrecadada, seja pela subtração de entorpecentes diretamente do depósito da delegacia.
A droga desviada seria repassada para traficantes ligados à organização criminosa, que seriam responsáveis por reintroduzir a droga no mercado ilícito.
Segundo a investigação, os policiais suspeitos de integrar a organização criminosa se valiam de suas funções públicas exercidas no combate à criminalidade para atuar como fornecedores para o tráfico.


