15 de maio de 2026

Filho reage a ataques nas redes e pede que subtenente morta não seja julgada

Filho relata que a mãe é julgada por ter se envolvido com alguém de ficha criminal tão extensa

O advogado Marcus Rodrigues usou as redes sociais para comentar o julgamento público que a mãe, a subtenente da Polícia Militar Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, vem recebendo após ser morta a tiros dentro de casa, na tarde de segunda-feira (6), no Conjunto Habitacional Estrela Dalva, em Campo Grande. O filho relata que a mãe é julgada por ter se envolvido com alguém de ficha criminal extensa.

Segundo ele, muitos relatos reforçaram o perfil acolhedor da mãe, marcada por ajudar pessoas, alegrar dias e mudar vidas “independente de quem fosse”. Marcus também mencionou que, nos últimos anos na Polícia Militar, a subtenente passou a visitar colegas aposentados, orar com eles, cantar e levar palavras de conforto a quem estava em situação difícil. Ele afirma ainda que realizava células religiosas na casa dela e que Marlene sempre recebia todos bem, “independente de quem eram ou de onde vieram”.

No texto, o advogado também falou sobre o comportamento de pessoas narcisistas, dizendo que elas “fingem, manipulam” e buscam alguém com o coração semelhante ao de Marlene. Ele afirma que o processo de manipulação não acontece de forma repentina, mas envolve desgaste emocional, afastamento de pessoas que tentam alertar e aproveitamento de momentos vulneráveis, como ocorreu com a mãe, quando os filhos se casaram e saíram de casa.

“Foi um trabalho minucioso da parte dele até culminar nisso”, escreveu, acrescentando que quem já foi vítima de narcisista e conseguiu se libertar pode entender melhor o que ele quis dizer. Ao final, Marcus pediu que a mãe não seja condenada. “É muito fácil aí do seu celular você pensar: ‘eu nunca cairia numa dessa’”, escreveu.

Ele também incentivou que as pessoas olhem ao redor e ajudem alguém que possa estar passando por situação semelhante. Para ele, agora restam apenas os “e se”.

O caso – A subtenente Marlene de Brito Rodrigues foi morta a tiros dentro da própria casa, na tarde de segunda-feira (6), quando retornava para o horário de almoço. O namorado, Gilberto Jarson, de 50 anos, foi preso em flagrante e é suspeito de feminicídio.

Policial que entrou na residência após ouvir o disparo encontrou o suspeito ao telefone, com a arma em mãos e manchas de sangue. O registro aponta que ele fez ligações para a Polícia Militar, para o cunhado e para um advogado logo após o tiro.

Marlene chegou a ser encontrada com sinais vitais, mas não resistiu aos ferimentos. No local, equipes localizaram um revólver calibre .38 e a pistola institucional da subtenente, que estava no coldre.

Durante o atendimento, o suspeito apresentou versões diferentes sobre o ocorrido. Em primeiro momento, afirmou que não viu quando a subtenente efetuou o disparo. Depois, disse que tentou impedir o tiro e que poderia haver resquícios de pólvora nas mãos.

Vizinhos relataram que o casal discutia com frequência e que já haviam ouvido gritos e pedidos de socorro em outras ocasiões. O caso é investigado como feminicídio e é o nono registrado em Mato Grosso do Sul neste ano.

Gilberto Jarson tem um histórico marcado por violência que começa ainda na juventude e se estende por diferentes tipos de crime. Em 1994, com 18 anos ele foi indiciado por matar Alcides Romeiro Paulo. Na época, os relatos foram de que o crime ocorreu por ciúmes de uma ex-namorada.

A partir de 2008, o nome dele passa a aparecer de forma recorrente em processos por roubo. Em um dos casos, ele e outros dois comparsas foram acusados de invadir uma residência e fazer vítimas reféns. No mesmo ano, há ao menos outros três registros de roubos com participação de múltiplos envolvidos, sempre com atuação em grupo.

Já em 2009, ele volta a ser citado em novo caso de roubo, desta vez com outros quatro envolvidos. Ainda no mesmo período, também respondeu por formação de quadrilha, hoje tipificada como organização criminosa, ao lado de mais seis réus.

Depois de alguns anos sem registros públicos de crimes patrimoniais, o histórico volta a aparecer em outro contexto. Em 2016, há ao menos quatro registros de violência doméstica e ameaça. Fonte: Campo Grande News

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