7 de maio de 2026

Dez cidades de MS entram em lista de prioridades para adaptação climática

Municípios receberão capacitação federal em 2026 para criar planos de ajuste às mudanças do clima

Dez cidades de Mato Grosso do Sul integram a lista de 581 municípios brasileiros considerados prioritários pelo governo federal para ações de adaptação às mudanças climáticas. A medida faz parte da estratégia apresentada no documento “Política Climática por Inteiro 2025”, que faz um balanço das ações governamentais, destacando os avanços e retrocessos do ano da COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática) e os desafios projetados para 2026.

Produzido pelo Instituto Talanoa, o relatório, divulgado recentemente, analisa o estado das políticas públicas voltadas ao enfrentamento da crise climática no Brasil e prevê capacitação técnica e apoio direto às cidades mais vulneráveis a desastres naturais.

Entre os municípios do Estado estão Campo Grande, Ponta Porã, Coxim e Paranaíba, no bioma Cerrado;  Dourados e Caarapó, que dispõe de Mata Atlântica, e as cidades pantaneiras de Corumbá, Aquidauana, Miranda e Porto Murtinho.

Para a escolha foram considerados critérios que vão da vulnerabilidade a eventos extremos, como inundações e secas severas, e outros impactos climáticos que podem afetar a população e a produção econômica local.

A seleção foi feita em conjunto com governos estaduais e o Distrito Federal e envolve cidades onde vivem cerca de 53 milhões de pessoas, o equivalente a 26% da população brasileira.

A proposta prevê que, ao longo de 2026, essas cidades recebam suporte técnico para elaborar Planos Locais de Adaptação, instrumentos que devem orientar ações práticas para reduzir riscos climáticos e aumentar a capacidade de resposta diante de desastres.

Entre as principais medidas previstas está a preparação de gestores municipais, que participarão de treinamentos para identificar e compreender os riscos climáticos específicos de suas regiões. A partir desse diagnóstico, os municípios deverão desenvolver estratégias próprias de resiliência, que podem incluir melhorias em infraestrutura urbana, fortalecimento de sistemas de alerta precoce e planejamento territorial voltado à redução de riscos.

As ações fazem parte da implementação do Plano Clima – Adaptação, política nacional voltada a transformar diretrizes técnicas em medidas concretas nas cidades brasileiras, equivalente ao Plano Nacional de Adaptação brasileiro que será submetido às Nações Unidas. O plano estabelece 12 metas nacionais, desdobradas em 312 metas setoriais e 830 ações distribuídas em 16 planos de adaptação.

Entre os objetivos estão:

reduzir para 7,5% o número de municípios com insegurança hídrica no país;

atender pelo menos 4 milhões de pessoas expostas a enchentes, inundações e deslizamentos com obras de prevenção de desastres;

ampliar em 180 mil hectares a cobertura vegetal em áreas urbanas, medida voltada à redução de impactos de chuvas intensas e ondas de calor.

Saúde – Conforme o levantamento, as mudanças climáticas também trazem efeitos diretos para a saúde da população. A plataforma Adapta Brasil aponta que ondas de calor aumentam o risco de doenças transmitidas por mosquitos, como dengue, zika e chikungunya.

A projeção indica que até 2030 cerca de 89% dos 5.570 municípios brasileiros poderão enfrentar risco alto ou muito alto de ondas de calor.

Segundo o relatório, o ano de 2025 foi dedicado à estruturação da estratégia e à definição das cidades prioritárias. Já 2026 será marcado pela implementação prática das medidas, com o objetivo de transformar conhecimento técnico em planos municipais capazes de proteger a população e reduzir impactos econômicos provocados por eventos climáticos extremos. Fonte: Campo Grande News

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