23 de janeiro de 2026

Para ‘fugir’ da esquerda, PSB vai buscar aval para autonomia em MS

O PSB (Partido Socialista Brasileiro) em Mato Grosso do Sul busca autonomia da diretoria nacional para definir suas alianças e a formação de chapas para as próximas eleições. A sigla no Estado avalia dois caminhos principais: seguir o alinhamento nacional com a esquerda ou obter “neutralidade” de  para, eventualmente, apoiar o governador Eduardo Riedel (PP), atual nome da direita em projeto de reeleição.

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A principal preocupação da executiva estadual é a montagem de uma chapa robusta para deputado estadual, considerada crucial para a manutenção de quadros, como o deputado Paulo Duarte. Isso envolve alianças com partidos que possam agregar vantagens no processo eleitoral.

 

A definição é considerada urgente e depende de uma visita à liderança nacional do PSB. Conforme o vereador e presidente do diretório municipal Carlos Augusto Borges, o Carlão (PSB), o objetivo é buscar junto às lideranças em Brasília uma manifestação clara sobre “qual é a intenção do partido aqui”.

Embora nacionalmente o PSB integre a base do governo federal, com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, sendo do partido, e a expectativa seja de um alinhamento com a esquerda também no Estado, a direção local teme que “tijoladas” (decisões impositivas) de Brasília forcem uma aliança com o PT, que tem ventilado o nome do ex-deputado federal Fábio Trad para disputa ao governo no enfrentamento contra Riedel.

Carlão não espera que o eventual apoio ao recém-chegado à militância petista seja imposto como um projeto exclusivo da diretoria nacional, desconsiderando os impactos disso na articulação do projeto da base partidária.

Ao Jornal Midiamax, Carlão foi categórico ao afirmar que o PSB “jamais vai autorizar” aliança com o grupo de Bolsonaro. Contudo, o desafio central do PSB em Mato Grosso do Sul é a falta de uma chapa robusta para brigar pelas cadeiras da  (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul) e da Câmara dos Deputados.

Carlão ainda mencionou que, para manter o deputado estadual Paulo Duarte na sigla, a aliança com Riedel é “um dos fatores, mas o mais importante é ter chapa”. Uma eventual coligação com o Cidadania “não agrega nada”, na visão do parlamentar.

O Cidadania encerrou sua federação com o PSDB na busca por reencontrar sua identidade e assim definir novos rumos para 2026. Nesse contexto, negociações para uma nova federação com o PSB foram iniciadas, mas, após desgastes internos e disputas pela presidência, o processo foi interrompido.

Assim, Carlão defende a liberdade para montar chapa própria ou aliar-se a partidos “com bancada”, visando a tempo de TV, fundo partidário e nomes competitivos.

“O problema sério é que nós não temos chapa para poder montar para deputado estadual ainda. A gente tem que organizar isso. Já organizamos um pedaço. Porque, pra manter o Paulo Duarte lá, no partido, não é questão de apoiar o Riedel ou não. Esse é um dos fatores, mas o mais importante é ter chapa. Eu acho que o PSB tem que ficar livre, nacionalmente, ou se aliar com um partido que tem bancada também, né? No horário de TV, no fundo partidário etc. E com nomes pra fazer chapa, né? Pra disputar aqui no Estado. Do contrário, não ajuda nada.”

PSB vai buscar vaga ao Senado, ainda que apenas pelo debate

A diretriz nacional do PSB é para que o partido tente lançar candidatos a governador, senador e deputado federal. Localmente, o projeto foca na montagem de chapas para deputado federal e estadual, com uma possível candidatura ao Senado.

Para isso, o diretório quer buscar nomes potenciais mirando a classe empresarial e a indústria, além de ex-deputados e ex-prefeitos que já estariam sendo sondados. O objetivo de disputar o Senado, mesmo sem garantia de vitória, é “polarizar o debate” e dar visibilidade a novos quadros.

“O problema mais sério é o PSB ter de Brasília, o PSB estadual aqui, uma posição de neutralidade, no sentido de se escolher o que for melhor pro partido. Porque, se vier uma tijolada lá pra cá, queira ou não queira, eles vão ficar com o PT. Aí a gente, se não tiver construção de crescimento do partido, o pessoal, eles ficam com a sigla, e aí fica difícil. Eu vou lá pedir para ficar livre. E aí a gente vai montar um candidato a Senado. A gente tem chance, talvez, de colocar um candidato a governo ou apoiar o Riedel no Executivo e lançar a chapa de deputado estadual e federal. Então, isso aí o partido tem que se organizar, mas tem que ter um sinal de lá. Sem sinal de lá, não dá. Você faz as coisas aqui, o cara vem e tira a gente até da presidência. Dá uma tijolada lá. Eu, no meu caso, não. Eu sou diretório, não pode me tirar.”

Sobre a situação de Paulo Duarte, o vereador informou que o deputado aguarda uma reunião, prevista para dezembro ou fevereiro, para definir seu caminho. Duarte, que preside o PSB, mas já anunciou possível saída da legenda para apoiar Riedel na reeleição, não pode deixar o partido no momento devido à janela eleitoral.

A intenção da executiva local, presidida por Carlão, é realizar em breve um seminário para definir as estratégias assim que houver um “sinal de lá”, ou seja, da direção nacional comandada pelo prefeito de Recife, João Campos.

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