7 de maio de 2026

“Fechei os olhos e acreditei em Deus”, diz vítima de tentativa de feminicídio

Durante a primeira audiência de instrução e julgamento do caso de tentativa de feminicídio, Luciane Borges Nunes, de 46 anos, relatou à Justiça os episódios de violência que sofreu ao longo de três anos de convivência com o agressor. Ela estava acompanhada de uma psicóloga da Casa da Mulher Brasileira, que prestou apoio emocional durante o depoimento.

Segundo ela, o relacionamento começou de forma tranquila, mas depois de algum tempo, o agressor passou a exercer controle sobre sua vida, incluindo a relação com seus filhos. “Ele começou a afastar meus filhos. Eu fiquei chateada, mas ele dizia que era melhor para eles. Fui morar com ele em outra cidade, e meus filhos ficaram aqui. Depois voltei, ele prometia que ia mudar, mas nada mudou”, relatou.

“Parou de atirar porque pensou que eu estava morta”, diz mulher atacada por ex
Ela contou ainda que, no dia do crime, foi obrigada a entrar no carro do agressor sob ameaça de morte, enquanto ele apontava uma arma de fogo. Durante o trajeto, o homem pegou seu celular e mantinha a arma sempre à mão, ameaçando-a. Em determinado momento, a vítima conseguiu fugir para um banheiro, mas foi atingida por dois disparos enquanto tentava escapar.

“Fechei os olhos e acreditei em Deus. Quando ouvi o barulho do carro saindo, abri os olhos e comecei a pedir ajuda”, disse a vítima, que ficou internada por sete dias e até hoje apresenta sequelas no pulmão. Ela precisou se afastar do trabalho por dois meses, mas retornou em julho.

No depoimento, ela detalhou ainda o histórico de abuso psicológico e controle que sofria no dia a dia. Segundo a vítima, Marcos Antônio não demonstrava ciúmes, mas exercia poder absoluto sobre suas ações. “Não era ciúmes, era controle. Ele contratava outras pessoas para ficar comigo e presenciava tudo. Sempre que tentava resistir, era ameaçada”, relatou.

A vítima afirmou que, mesmo após solicitar medida protetiva no ano anterior, voltou a conviver com ele por acreditar em mudanças, mas os abusos persistiram. Ela disse que atualmente mora sozinha e tenta reconstruir sua rotina.

O caso segue em tramitação na Justiça, e a audiência teve como objetivo colher detalhes sobre a dinâmica da violência e os impactos físicos e psicológicos sofridos pela vítima. Ainda serão ouvidos os filhos da vítima e policiais militares que participaram da ocorrência. Não há data prevista para a próxima audiência, em que possivelmente Marcos será ouvido.

O autor ouviu a maioria dos depoimentos durante a audiência, mas foi retirado no momento do depoimento da vítima.

A operadora de caixa, Marcella Beatriz, uma das testemunhas, contou ao Campo Grande News que estava saindo para trabalhar quando viu Marcos chegando para encontrar a vítima. “Ele desceu do carro e já foi armado para cima dela e falou para ela entrar no carro. Ela estava me olhando com uma cara de desespero. Ele apontou a arma para mim e meu filho também”, disse ela.

Ainda conforme a testemunha, o autor mandou-a voltar para dentro de casa e “não se meter”. Minutos depois, ela ligou para a polícia e denunciou o caso. “Foi bem traumático, e despertou vários gatilhos tanto em mim quanto no meu filho, e ainda mais nela. É uma coisa que a gente não deseja para ninguém”, finalizou.

 

Caso – Mulher, de 46 anos, foi baleada em uma tentativa de feminicídio no dia 29. O crime aconteceu em um posto de combustíveis no cruzamento das ruas da Divisão e Santa Quitéria, no Bairro Parati. O autor dos disparos foi preso minutos depois.

A vítima, de 46 anos, havia sido sequestrada horas antes do ataque. Imagens de segurança mostram a mulher caminhando na rua até ser surpreendida por Marcos.

Ele estaciona o carro e, ao notar sua presença, a vítima tenta mudar de direção. Enquanto caminha, olha diversas vezes para trás, mas é seguida pelo acusado. Em determinado momento, ele se aproxima, inicia uma conversa e a convence a entrar no veículo.

Horas depois, novas imagens registram a mulher entrando em um banheiro de posto de combustíveis, no Bairro Parati, em uma tentativa desesperada de escapar. Marcos a seguia. Quando ela correu para fugir, foi perseguida e alvejada…. veja mais em https://www.campograndenews.com.br/cidades/capital/fechei-os-olhos-e-acreditei-em-deus-diz-vitima-de-tentativa-de-feminicidio

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