7 de maio de 2026

Fracassa fusão entre PSDB e Podemos por disputa na liderança da nova sigla

O PSDB e o Podemos decidiram encerrar as negociações para a fusão que vinha sendo articulada desde o início de 2025. A principal divergência ocorreu após o Podemos exigir o comando da nova sigla por quatro anos, proposta que foi prontamente rejeitada pela cúpula tucana. A informação foi confirmada por lideranças dos dois partidos, incluindo o presidente nacional do PSDB, Marconi Perillo.

A crise se aprofundou após a convenção nacional do PSDB, realizada em 6 de junho, que havia aprovado a fusão por ampla maioria — 201 votos a favor e apenas 2 contrários. Entretanto, as tratativas fracassaram logo depois, quando ficou claro que não havia consenso sobre quem assumiria a liderança da nova legenda.

O Podemos, presidido pela deputada federal Renata Abreu (SP), defendia sua permanência no comando do partido fundido pelos próximos quatro anos. O PSDB, por sua vez, propôs um modelo de gestão compartilhada, com revezamento na presidência — primeiro semestral, depois anual. Para lideranças tucanas, a proposta do Podemos foi considerada inaceitável e gerou o rompimento imediato das negociações.

Risco de extinção para o PSDB
O fracasso na fusão aumenta a pressão sobre o PSDB, que corre risco de ficar sem acesso ao fundo partidário e à propaganda gratuita em rádio e TV se não atingir a cláusula de desempenho nas eleições de 2026. Criada pela Emenda Constitucional nº 97, de 2017, essa regra estabelece que os partidos precisam obter pelo menos 2% dos votos válidos nacionais para a Câmara dos Deputados, distribuídos em pelo menos nove estados, ou eleger 11 deputados federais.

Nas eleições de 2022, o PSDB ficou no limite da cláusula, mas desde então viu sua bancada se reduzir. O partido tem atualmente 13 deputados federais e 3 senadores, mas enfrenta perda de quadros importantes e desgaste de sua marca histórica.

O Podemos também sente os efeitos da cláusula, embora tenha uma bancada ligeiramente maior — 15 deputados e 4 senadores —, o que garante sobrevida, mas não segurança total no cenário político fragmentado.

Federações podem ser a saída
Com a fusão inviabilizada, cresce a possibilidade de o PSDB buscar a formação de uma federação partidária. Diferente da fusão, a federação permite que os partidos mantenham sua identidade visual, estatuto e número de registro, mas atuem de forma unificada por pelo menos quatro anos, tanto no Congresso quanto nas eleições.

O partido já iniciou conversas preliminares com MDB, Republicanos, Solidariedade e outras siglas de centro. A estratégia é construir uma federação robusta que represente a chamada terceira via, em oposição tanto à polarização entre Lula e Bolsonaro quanto às extremas dos espectros ideológicos.

Impacto das federações nas eleições
Desde que começaram a ser permitidas em 2022, as federações partidárias têm se mostrado uma ferramenta eficaz para driblar a cláusula de desempenho. Exemplos bem-sucedidos incluem:
Federação PT-PCdoB-PV, que garantiu estabilidade à esquerda.
Federação PSDB-Cidadania, formada em 2022, mas que agora está sendo reavaliada pelo próprio PSDB.
Federação PSOL-Rede, que permitiu a ampliação da bancada de esquerda.
Essas uniões têm sido essenciais para partidos médios e pequenos manterem relevância institucional, acesso ao fundo partidário e tempo de propaganda.

Próximos passos
O presidente do PSDB, Marconi Perillo, afirmou que o partido “segue insistindo na ideia de construir uma plataforma política que agrupe o Centro Democrático e apresente ao país uma alternativa de poder viável”. Já o Podemos, embora não tenha se manifestado oficialmente após o rompimento, deve retomar negociações com outras siglas, mantendo aberta a possibilidade de novas alianças ou federações.

O impasse evidencia a dificuldade crescente de sobrevivência de partidos tradicionais no atual sistema eleitoral brasileiro, pressionados pela cláusula de desempenho e pela necessidade de se reinventar diante de um eleitorado cada vez mais fragmentado.

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