8 de fevereiro de 2026

Há 6 anos sem cheia, Pantanal vê animais disputarem poças de água

Na estrada antiga, quem passa pelas pontes vê cenários que mostram os impactos da seca no Pantanal: bois, veados, aves e outros animais disputam água em poças que antes eram vazantes de rio. Há trechos completamente secos. Por isso, quem mora na região tem pouca esperança de ver o ano terminar diferente.

Fotos dos fundos do Rancho Paraíso Pantanal mostram a transformação em cenas de seis anos atrás e de agora, na região Passo do Lontra.

Ali passa o Rio Miranda. O último registro de cheia é do proprietário do local, Rogério Lehle Walter, que há 32 anos mora na região. Ele conta que a água já não chega ao mesmo patamar desde 2016.

“Nesse tempo em que moro aqui, nunca vi ano tão castigado pela seca, quanto este. Aqui temos um poço artesiano para usar, exceto para beber, pois a água tem calcário e não podemos beber, mas muitas famílias da região não têm poço e usam água do rio, que agora está nessa situação”, relata Rogério.

O empresário lembra que dias atrás, uma queimada castigou vegetação na região da Redenção, onde fica a cabeceira do Rio Vermelho. “Já na margem da estrada parque, o fogo dizimou inteira. O Rio Abobral acabou, secou, nem barro tem, virou uma estrada”, comenta Rogério.

A origem do fogo pode até ser proposital em muitos casos, mas o empresário lamenta também a atitude de fazendeiros que provocam queimadas. “Tem muitos fazendeiros que trabalham com pasto nativo e geralmente colocam fogo. Algumas queimadas podem ser acidentes, mas muitas são por causa de reforma de pasto”, conta.

Expectativa – Depois de tantos anos sem uma cheia como a de costume na história do Pantanal, o morador não tem muita esperança de ver o rio subir para valer. “Em 2020 e 2021 teve queimada, mas teve água. Neste ano, já não teve água e já teve essa queimada. Pela minha experiência, a tendência é o rio baixar mais ainda até outubro”, lamenta.

Perto dali, no Hotel Santa Catarina, o proprietário, Roberto Pedroso de Barros, também não vê cheia como antes, nas contas dele, há quatro anos. Ele já se acostumou com a situação da região.

“Tivemos repique de água nos últimos meses, que jogou água em algumas regiões, mas não foi em todos lugares. Tem lugar que está seco. Por enquanto está normal, mas a expectativa, se cessar chuvas agora, a partir de junho já não tem mais chuva, aí em setembro e outubro vai ser ruim. Perto do Morro do Azeite já teve queimada recentemente.  Quando o fogo pega vegetação das reservas é difícil os bombeiros darem conta, é  muito sedimento que vira combustível. Não tem quem apague”, estima Roberto.

Os moradores não tem muito otimismo por causa da tragédia de 2020, quando 98% das reservas do Pantanal, ou seja, 300 mil hectares foram dizimados pelas queimadas, mas neste ano os bombeiros, o governo e ONGs (Organizações Não-governamentais) prometem mais capacidade para enfrentar o que vier. – CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS

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