Mato Grosso do Sul deve alcançar hoje ou nos próximos dias a taxa de 50% da população total imunizada contra Covid-19, seja com uma segunda dose seja com uma dose única, o que fará do Estado o primeiro do Brasil a chegar nessa cobertura vacinal.
Segundo a nova estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população de MS cresceu no último ano, chegou a 2.839.188.
O Estado chegou a 73,4% da população com a primeira dose, e isso contribui para que MS alcance a imunidade coletiva.
O governo do Estado ainda contabiliza em sua plataforma Vacinômetro o número de habitantes de 2020, quando o IBGE estimava 2.809.394 moradores em Mato Grosso do Sul.
Por este motivo, a plataforma traz o porcentual de 50,7% de imunizados, o que, de acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES), será corrigido em breve.
“Estamos no aguardo do IBGE publicar dados da nova população estimada para 2021, Estado e municípios. Assim poderemos atualizar ”, diz nota da Pasta.
Mesmo ainda não tendo, oficialmente, alcançado esse patamar, Mato Grosso do Sul é o estado brasileiro mais perto de chegar ao número.
O segundo estado na taxa de imunização é São Paulo, com 46,6% de sua população imunizada.
“É animador, isso significa que nós formalizamos um excelente trabalho, com o comprometimento de todos os trabalhadores da saúde, das secretarias de saúde dos municípios, da Secretaria de Estado de Saúde e, principalmente, a conscientização da população da importância da vacina”, avalia a secretária-adjunta de Saúde de Mato Grosso do Sul, Crhistinne Maymone.
“Significa que o Estado e os municípios se preocuparam com a pandemia”.
Para o médico infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Julio Croda, é importante também que seja destacado o alto patamar que MS alcançou entre uma população vacinável.
“Nós temos mais de 90% da população acima de 18 anos vacinada com a primeira dose, quase 70% com a imunização completa e acima de 12 anos também temos uma boa cobertura, mas sabemos que em adolescentes a doença se manifesta de outra forma” .
“Então, esse indicador é muito maior e mais animador ainda, se chegarmos em 95% a 100% da população adulta vacinada seria ainda melhor”, ressaltou o pesquisador.
Segundo o Vacinômetro, que ainda tem dados de 2020, no caso população acima dos 18 anos, 93,6% tomaram uma dose ou uma única e 68,3% estão imunizados.
No caso dos adolescentes, 58,2% tomaram uma vacina e apenas 1,33% completou o esquema vacinal.
“Se a gente está acima de outros estados foi porque a aceitação à vacinação foi alta em Mato Grosso do Sul. Imagino que para completar o esquema vacinal dessas pessoas demore, no máximo, dois meses, porque é o tempo que tem se usado aqui. Com isso, a gente terá mais de 90% da população adulta com as duas doses ”, completou Croda.
CUIDADOS
Até o fim da tarde de ontem, Mato Grosso do Sul tinha 1.852.918 pessoas com a primeira dose, 1.178.140 com as duas doses e 231.155 com uma dose única contra o coronavírus.
Mesmo com números animadores, uma secretária-adjunta ressalta que a pandemia ainda não acabou e que como medidas de biossegurança ainda são necessárias, como o distanciamento social e o uso de máscara, já que Mato Grosso do Sul já convive com transmissão da variante Delta, a mais transmissível do vírus.
“A gente já está na metade do caminho, é importante, mas as pessoas não podem parar de vigilância, porque ainda tem 49,4% das pessoas que precisam ter imunidade, então a gente precisa continuar usando máscara, precisamos continuar evitando transmissões, porque a Delta é seis vezes mais transmissível que as outras variantes “.
“A gente não pode esquecer de tudo isso quando a gente está na metade do caminho”, frisou Maymone.
Os casos confirmados da variante em Mato Grosso do Sul são do mês de julho, ou seja, a nova cepa circula há dois meses no Estado, mas isso ainda não refletiu em um aumento expressivo de casos, internações ou mortes.
Segundo o infectologista, isso pode ser explicado pelo alto grau de vacinação e também por uma explosão de casos que ocorreram ocorridos.
“Isso é impacto da vacinação recente e parte da tragédia que a Gama trouxe entre abril e maio”.
“A expansão da vacinação tem influência na contenção de casos, mas as muitas infecções no passado também contribuíram, porque como muitas pessoas pegaram a doença nessa época, de alguma forma, eles ainda têm a nutrição e com a vacinação eles têm uma imunidade ainda maior” , explicou o infectologista.
“A vacinação não para transmissão, mas com essa barreira a gente evitar hospitalização e óbitos, e isso fica restrito a quem não vacinou”, completou Croda.
PRIORIDADE
Como ainda há pessoas adultas que não tomaram nenhuma dose de vacinas contra um Covid-19, o pesquisador da Fiocruz acredita que esse deve ser o foco da campanha de vacinação. Mas também é necessário que se avancem nas doses de reforço.
“Primeiro, temos de priorizar o grupo de quem não vacinou, tem de se ir atrás dessas pessoas, trabalhar a comunicação, melhorar a comunicação, depois de uma dose de reforço para idosos e imunossuprimidos e em terceiro a vacinação para os adolescentes”, especial Croda .

