10 de maio de 2026

Safra aumenta, mas falta armazenagem, gerando perdas, aponta Aprosoja

Mato Grosso do Sul enfrenta um déficit estrutural de 11,1 milhões de toneladas na capacidade de armazenagem de grãos, segundo o estudo técnico “Capacidade de Armazenamento de Grãos de Soja e Milho do Mato Grosso do Sul – 2025”, elaborado pela Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul). O levantamento pretende orientar investimentos públicos e privados para reduzir o gargalo logístico.

Com base em dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e do SIGA/MS (Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio), o estudo mostra que o Estado produz, em média, 22,9 milhões de toneladas de soja e milho por safra, mas possui estrutura para armazenar apenas 16,4 milhões de toneladas. Como o estudo foi feito com estimativas, o impacto pode ser ainda maior, já que o IBGE apontou que as safras deste ano podem somar 25,45 milhões de toneladas.

 

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A concentração também é um problema: os cinco maiores municípios detêm 49% da capacidade total de depósito, mas respondem por apenas 38% da produção estadual. Essa desigualdade deixa municípios médios e pequenos — justamente os mais produtivos — em situação de vulnerabilidade. Dos 78 municípios analisados, 73 apresentam déficit de armazenagem. O problema é mais crítico em Maracaju, Ponta Porã, Rio Brilhante, Aral Moreira e São Gabriel do Oeste.

O presidente da Aprosoja/MS, Jorge Michelc, alerta que a falta de silos reduz a margem de lucro do produtor, porque ele fica impossibilitado de negociar preços ou esperar melhor momento para vender a produção. “Sem espaço suficiente para estocar, ele é obrigado a vender logo após a colheita, muitas vezes em condições desfavoráveis de mercado”, explica.

A defasagem é de 67,8% em relação à capacidade ideal recomendada pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), que orienta uma estrutura 20% superior ao volume total produzido.

O assessor técnico da entidade e responsável pelo estudo, Flavio Faedo Aguena, reforça que o problema afeta o desempenho do setor, mesmo apostando em aumento da produtividade. “A competitividade do agronegócio não depende só do que acontece dentro da fazenda. Sem silos suficientes, todo o esforço e tecnologia aplicados no campo podem ser perdidos, onerando o produtor e reduzindo nossa competitividade”, afirma.

Embora a capacidade de armazenamento tenha crescido 82% em uma década — de 9,01 milhões de toneladas em 2014 para 16,39 milhões em 2025 —, o avanço foi insuficiente diante da expansão da produção, que subiu 69%, de 17,23 milhões para 29,11 milhões de toneladas no mesmo período. O déficit absoluto passou de 8,25 milhões de toneladas em 2014 para 12,72 milhões em 2025, um aumento de 54%.
O pior cenário foi registrado em 2023, quando uma supersafra gerou déficit recorde de 21,23 milhões de toneladas.

A cidade de Maracaju lidera o ranking de produção nas últimas cinco safras, com 2,6 milhões de toneladas de soja e milho, mas possui capacidade de estocar apenas 1,8 milhão. A Aprosoja/MS defende que o diagnóstico sirva como base para políticas públicas e investimentos privados. Para a entidade, o desafio é urgente e estratégico. “O futuro do Estado depende de uma rede de armazenagem moderna e estrategicamente distribuída. Essa infraestrutura permitirá que o produtor tenha mais poder de decisão na comercialização, diminuindo custos e a dependência do transporte rodoviário”, conclui Jorge.

O estudo sobre o armazenamento sugere que a implantação da Rota Bioceânica e uma tão esperada retomada do transporte ferroviário e a implantação da Hidrovia Paraguai Paraná podem consolidar Mato Grosso do Sul como um dos polos logísticos mais eficientes do país, caso invista, agora, na capacidade de guardar o que produz…. veja mais em https://www.campograndenews.com.br/lado-rural/safra-aumenta-mas-falta-armazenagem-gerando-perdas-aponta-aprosoja

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