8 de maio de 2026

Acordo na Eldorado deve viabilizar nova megafábrica

O acordo entre a J&F e a Paper Excellence, que envolve a compra, pela holding brasileira, das ações da empresa sino-indonésia da Eldorado Brasil Celulose, deve destravar um investimento de pelo menos US$ 5 bilhões (R$ 28 bilhões) na construção da segunda linha de produção da empresa, localizada em Três Lagoas, cidade a 330 quilômetros de Campo Grande.

O acordo bilionário para a compra da participação da Paper, do sino-indonésio Jackson Widjaja, pelos brasileiros Joesley e Wesley Batista, donos da holding J&F, avançou ao longo desta semana e deve ter mais detalhes divulgados nos próximos dias.

A expectativa é de que os irmãos Batista paguem pelo menos US$ 2,7 bilhões a Widjaja pela participação de 49,5% na Eldorado Brasil Celulose.

No ano passado, Joesley Batista, em um evento para empresários em São Paulo (SP), afirmou que o projeto da segunda linha seria iniciado “em breve”.

O investimento na Eldorado estava condicionado a um acordo com a Paper Excellence, que trava há oito anos uma disputa jurídica e em câmaras arbitrais pelo controle da empresa.

A segunda linha da Eldorado terá capacidade de processar, pelo menos, mais de 2,5 milhões de toneladas de celulose.

Atualmente, a empresa tem uma capacidade instalada de 1,9 milhão de toneladas por ano, mas, em função da alta produtividade, chega a se aproximar ou ultrapassar os 2 milhões de toneladas do composto vegetal usado na fabricação de papel, lenços, itens de higiene e embalagens, entre outras finalidades.

O argumento do investimento represado na Eldorado chegou a ser utilizado em uma das batalhas travadas pelo controle da empresa no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que acabou tirando, por alguns meses, a Paper Excellence do conselho de administração da companhia.

A tese da holding dos irmãos Batista, que chegou a ser acatada pelo órgão, era de que a empresa de Widjaja não demonstrava interesse na expansão da Eldorado e que a disputa pelo controle dificultava novos investimentos.

De fato, a Eldorado ficou para trás nos últimos anos na corrida pela produção de celulose em Mato Grosso do Sul. Enquanto a disputa era travada entre os Batista e Widjaja nos tribunais, a concorrente Suzano expandiu sua produção no Estado e inaugurou uma megafábrica em Ribas do Rio Pardo, cidade a 130 km de Campo Grande.

Neste ano, a Arauco iniciou as obras de outra megafábrica, em Inocência, e, nos próximos anos, será a vez de a Bracell iniciar sua unidade em Bataguassu.

Nos bastidores, a preocupação na Eldorado Celulose é de que falte mão de obra para executar o projeto da segunda linha, uma vez que há escassez de técnicos e engenheiros especializados em grandes estruturas, e boa parte deles estará mobilizada nos projetos da Arauco e da Bracell.

ACORDO
A J&F, holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista, fechou um acordo para recomprar a participação da Paper Excellence na Eldorado Brasil Celulose, encerrando uma disputa societária que se arrasta há oito anos. A planta industrial localizada em Três Lagoas é atualmente controlada pelos Batista (com 50,5% das ações) e tem como sócia a Paper Excellence, empresa do bilionário sino-indonésio Jackson Widjaja.

O impasse teve início em 2017, quando a venda total da Eldorado para Widjaja foi anunciada, mas não concluída, em função da ausência de garantias financeiras por parte do comprador.

A negociação que encerra o conflito foi revelada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Correio do Estado.

A expectativa é de que a transação seja formalizada até o fim desta semana, com a recompra das ações detidas por Widjaja. Segundo fontes próximas ao processo, os representantes legais da Paper Excellence já teriam concordado com a venda da fatia por US$ 2,7 bilhões.

A disputa ganhou novos contornos após a Justiça Federal em Três Lagoas confirmar uma decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) que suspende a aquisição de imóveis rurais pela Eldorado e pela Paper Excellence até que ambas obtenham autorização do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Congresso Nacional.

Essa exigência, baseada na legislação brasileira que restringe a compra de terras por estrangeiros, acabou inviabilizando a conclusão da venda para a Paper.

A resolução do impasse pode destravar investimentos de grande porte na fábrica. A Eldorado pretende aplicar cerca de US$ 5 bilhões (aproximadamente R$ 26 bilhões) na construção de uma segunda linha de produção, projeto paralisado desde o fim da década passada justamente por conta da indefinição sobre o controle acionário da empresa.

 

Linha do tempo da disputa entre J&F e Paper Excellence
Set.17: J&F, holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista, conclui a primeira fase da venda da Eldorado Celulose para a Paper Excellence, prevendo a conclusão total da operação em até 12 meses. O valor total da empresa foi estimado em R$ 15 bilhões.

Jun.18: O China Development Bank, que financiaria a segunda parte da compra, desiste do financiamento, tensionando a relação entre as partes.

Ago.18: A Paper Excellence aciona a Justiça para forçar a conclusão do negócio antes do vencimento do contrato, previsto para 3 de setembro daquele ano.

Set.18: A Justiça concede liminar apenas parcialmente, negando o pedido da Paper Excellence para prorrogar o contrato. A disputa é levada à arbitragem.

Abr.19: Cláudio Cotrim, CEO da Paper no Brasil, acusa a J&F de exigir R$ 6 bilhões adicionais para concluir a venda.

Jul.19: Eduardo Bolsonaro publica foto ao lado de Jackson Widjaja segurando um “checão” simbólico de R$ 31 bilhões, representando investimentos planejados em Três Lagoas (MS).

Mai.20: A Justiça condena a J&F por litigância de má-fé em ação contra Cotrim, na qual a holding pedia indenização de R$ 300 mil por danos morais após declarações do executivo.

Fev.21: A Paper Excellence vence a arbitragem contra a J&F por 3 a 0, em decisão que a autorizaria a concluir a aquisição.

Mar.21: A J&F recorre à Justiça e consegue suspender a transferência do controle da Eldorado, alegando parcialidade do árbitro escolhido pela Paper.

Jul.21: Após nova decisão, a transferência é novamente autorizada, mas, em poucos dias, volta a ser suspensa por nova liminar obtida pela J&F.

Jul.22: A juíza Renata Mota Maciel decide a favor da Paper Excellence e determina que a empresa assuma o controle da Eldorado.

Jul.23: O TRF-4 aceita recurso que impede a aquisição de imóveis rurais pela Eldorado até que haja autorização do Incra e do Congresso Nacional, travando novamente a conclusão do negócio.

Nov.24: Cláudio Cotrim declara à Folha de S.Paulo que a Paper não tem interesse em manter posse de terras e que, caso assuma o controle da Eldorado, se compromete a vender os 14 mil hectares atualmente sob gestão da companhia.

Jan.25: A Paper Excellence inicia novo processo arbitral na CCI (Câmara de Comércio Internacional), em Paris, pedindo US$ 3 bilhões em indenização da J&F.

Mar.25: O TJ-SP decide que o litígio deve retornar à 1ª instância, anulando decisão anterior que havia determinado a transferência das ações da Eldorado à Paper.

Mai.25: Após anos de embate, a J&F anuncia um acordo para recomprar a fatia da Paper Excellence na Eldorado Celulose, encerrando a disputa.

Leia mais em: https://correiodoestado.com.br/economia/acordo-na-eldorado-deve-viabilizar-nova-megafabrica-de-r-28-bilhoes/448198/

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