25 de setembro de 2026

“Eu sei que sou um milagre”: afirma socorrista que foi baleada segurando o neto

Maria Aparecida dos Santos estava com neto no coloe e contou que sabia que o caso dela era gravíssimo 

“Parece que foi Deus que me colocou ali e eu pude salvar a vida do meu netinho. Eu estava no assento que minha neta costuma ficar”, diz a  socorrista do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) que foi baleada após briga de trânsito. Em entrevista ao Campo Grande News, Maria Aparecida dos Santos, de 60 anos, contou que estava voltando de um aniversário no dia 9 de junho, pela Avenida Marinha, com seu filho e os quatro netos.

O filho Willian Goully, de 33 anos, que conduzia o carro, viu que os dois carros a sua frente estavam praticando racha e chegaram a fechar um motociclista que passava pela via. Para tentar fugir daquela situação, ele ultrapassou os carros e viu um dos condutores engatilhando a arma.

A situação só foi percebida pela socorrista quando o filho parou o carro e um homem empurrou o seu peito. “De repente, eu fui alvejada e todo mundo ficou em estado de choque, ninguém se mexia”, lembrou.

O tiro atingiu o braço, próximo ao cotovelo e alojou no abdomen. A família então foi para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Coophavila. No local, Maria foi atendida por um de seus colegas do Samu.

Com a noção de que seu caso era considerado “gravíssimo”, a socorrista pediu para que o colega acionasse uma USA (Unidade de Suporte Avançado). “Eu pedi para a doutora me ajudar e ela falou que faria o possível para me encaminhar para Santa Casa da forma mais rápida”, contou Maria.

Ao chegar no hospital ela deu entrada na área vermelha, e daquele momento ela não se recorda mais nada, pois ficou entubada por seis dias. Maria passou 17 dias internada na Santa Casa.

Maria Aparecida considera que ter sobrevivido ao ocorrido seja um milagre. “Eu tenho experiência na área, sei que eu era um paciente gravíssimo. Sou muito grata pela vida”, disse ela. Segundo a socorrista, o que a deixa mais confortável depois do trauma que sofreu, foi ter salvo a vida de seu neto de quatro meses que estava no seu colo e não foi atingido.

Para a família, o trauma não será superado tão cedo. “Se não fosse eu, poderia ter sido meu filho. Sinto que morri um pouco naquele dia”, comentou Willian. Ele relata que a mãe deixou de ter uma rotina de trabalho e atividades sociais e passou a depender da família.

“É muito ruim ver sua mãe, que tem uma rotina feliz, numa cama de hospital. Eu por ser, praticamente, o homem da casa me senti muito fragilizado em não poder fazer nada por ela naquele momento”, disse ele.

A socorrista ainda conta que depois de ter passado tantos anos salvando vidas, sente que é hora de descansar e ver os netos crescerem. “Fiquei com sequelas, estou sem força nos dedos e com bolsa de colostomia. Hoje eu tenho medo de entrar no meu próprio carro”. contou.

Após tomar conhecimento sobre quais eram os veículos envolvidos no racha e no disparo contra a socorrista do Samu, a Polícia Militar constatou que os carros tinham as mesmas características dos que estão envolvidos em situações criminais em datas anteriores, inclusive ocorrências de violência doméstica e arma de fogo.

Um dos condutores se apresentou na delegacia, e entregou a arma, conforme contou Willian. “A gente entrou em contato com um advogado, que tomou todos os procedimentos legais. Estamos esperando para ver no que tudo vai dar. Eu acredito que ele vai pagar por tudo que ele fez”, finalizou o filho. – CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS

Avenida Marinha, onde aconteceu a briga e a socorrista acabou atingida por um tiro. (Foto: Arquivo)

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