8 de maio de 2026

Pandemia provocou migração de crimes e golpes virtuais quadruplicam em Mato Grosso do Sul

Crime praticado por golpistas, no qual enganam vítimas para obter algum tipo de vantagem, na maioria dos casos em dinheiro, o estelionato tem crescido cada vez mais no mundo. Em Mato Grosso do Sul, esse número quadruplicou nos últimos 9 anos. Em 2022, foram registrados cerca de 35 boletins de ocorrência por mês. Nos 12 primeiros dias de 2023 já foram 255 casos registrados, o que corresponde a 21 casos por dia.

O número de vítimas é ainda maior. Em 2022, foram 13.627 vítimas, enquanto em 2021 foram 12.393 e em 2020 quase a metade, sendo 7.694.

O crescimento desse crime se dá a vários pontos, segundo o delegado de Polícia Civil, Ricardo Meirelles, entre eles, o desenvolvimento tecnológico, que se tornou ainda mais acessível e a  que deu um ‘up’ para que a população optasse por fazer de tudo através da internet, seja mexer com contas, bancos, e-comerce entre outros. “Para os criminosos é algo rentável, que dá maior lucro e eles correm menos riscos, se mantendo no anonimato da internet, por isso migram do furto e roubo”, explicou o delegado.

“Dá para contar nos dedos as pessoas que baixam aplicativo de antivírus no celular, faz uma verificação em duas etapas nas redes sociais, anotam senhas em locais seguros, ou que tenham algum tipo de proteção. É muita informação sem proteção. A internet é mais cômodo, mas em que se proteger assim como faz pessoalmente, quando sai de casa a noite, quando sai do carro e fecha as portas e janelas. Na internet tem que fazer pesquisa de proteção de dados e informação”, informa Meirelles.

Dentro do crime de estelionato, há ainda a qualificação de fraude eletrônica, quando é cometido por meio do aparelho celular ou computador, através de ligação telefônica ou pelas redes sociais. Para o estelionato, a pena é de 1 a 5 anos de prisão. Já para fraude eletrônica, a pena varia de 4 a 8 anos de prisão.

Apesar da Dedfaz (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Defraudações, Falsificações, Falimentares e Fazendários) investigar esse tipo de crime, eles não se restringem a ela. As outras 7 delegacias espalhadas pela cidade registram e investigam os casos conforme a localidade de moradia da vítima.

Vítimas

Ao contrário de antigamente, quando as pessoas de mais idade eram as principais vítimas desse tipo de crime, com o avanço da tecnologia e migração dos criminosos, atualmente pessoas de todas as idades têm se tornado vítimas, basta ter acesso à internet.

“A pessoa que tem acesso à internet é vítima em potencial. Todos nós somos humanos passíveis de cometer erros, mas temos que desconfiar de tudo”, explica.

Ao Jornal Midiamax uma mulher, de 55 anos, que preferiu não se identificar, foi vítima de golpistas recentemente. Bastante abalada, a vítima calcula como pagará o prejuízo que teve de R$ 7,7 mil. No caso dela, o golpe aconteceu pessoalmente.

“Me sinto envergonhada. Na hora a gente cai na história sincera deles que nem lembra dos golpes que falam para a gente não cair na televisão”, lamentou.

Na boa intenção de ajudar, a mulher caiu em um golpe do bilhete premiado. Dois homens fingiram que não se conheciam e apresentaram um bilhete supostamente premiado da  no valor de R$ 10 milhões. O dono do bilhete era um senhor que disse que não sabia ler e não tinha documentos e pediu ajuda do ‘comparsa’ e da vítima para que pudesse retirar o prêmio.

Um dos autores fez um empréstimo no nome da vítima com a sua consciência, mas ficou com o dinheiro na garantia de que o bilhete ficasse com a mulher. O golpe foi descoberto após a mulher ir até uma farmácia comprar remédio para um dos autores que passava mal e ao retornar, ambos haviam fugido com o dinheiro da vítima e o tal bilhete premiado.

“Eu não sei como vou pagar esse empréstimo. Eu ganho mil reais por mês e ainda gasto com remédios. Entrei em desespero e ainda estou desesperada. Chorei tanto. Fui no banco, expliquei a situação e me aconselharam a fazer o boletim de ocorrência”, explicou a mulher. “Eu não sei como fui cair nessa. Mas eles te envolvem em uma história e vão te cercando, que você acaba aceitando tudo”, contou.

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