25 de setembro de 2026

Da maconha ao tereré: Ex-traficante rompe com o crime na fronteira e vira exportador de garrafas artesanais

Diz um ditado fronteiriço que  é um lugar para fortes. A linha imaginária que separa a cidade paraguaia da vizinha Ponta Porã, no Brasil, também é um marco divisório para quem consegue romper os limites da criminalidade e se manter vivo. Renato Cañete é um desses personagens que conhece as nuances do mal e do bem.

Nascido na parte paraguaia das cidades gêmeas, uma representação do inferno para alguns e um pedaço do céu para outros, Cañete tem 34 anos e diz conhecer muito bem os dois lados dessa dicotomia existencial. Aos 25 anos, vindo de uma família de gente honesta e trabalhadora, onde recebia boa educação, amor e carinho, mas se envolveu com falsos amigos e acabou escolhendo o lado sombrio da cidade, onde o dinheiro flui de modo fácil e rápido, mas depois cobra juros impagáveis.

Mergulhado no mundo da criminalidade e já alistado nas fileiras do tráfico de drogas, o morador de Pedro Juan Caballero caiu nas mãos da polícia. Condenado a sete anos de prisão, cumpriu parte da pena em regime fechado. Atrás das grades e sem perspectivas de futuro, Cañete se agarrou no presente e aprendeu um ofício de artesão. Com a manipulação de couro bovino, começou a forrar garrafas térmicas para tereré e mate.

Ao Midiamax o ex-traficante conta que seus primeiros clientes foram os colegas de cela. Aos poucos a notícia se espalhou e ele começou a vender seus produtos para outras alas até que o negócio extrapolou os muros da prisão. “Comecei a ficar animado com as vendas e passei a perceber que o dinheiro que entrava era fruto do meu trabalho honesto”, comenta Cañete.

Boca a boca

Com o apoio de familiares e amigos, após deixar a penitenciária e começar a cumprir regime semiaberto, o fronteiriço montou uma oficina, onde forrava e ao mesmo tempo vendia as garrafas. Segundo ele, sua arte aos poucos foi ganhando espaço entre os moradores de Pedro Juan e também em Ponta Porã. O boca a boca de clientes satisfeitos se tornou a alma do seu negócio.

Atualmente, além de uma loja bem estruturada, o morador de Pedro Juan possui pequenas filiais em diversos pontos. As estampas ganharam cores, logos de empresas, frases de amor e amizade e distintivos de times de futebol do Paraguai e também do Brasil. Além do toque artesanal, para garantir grande procura pelos seus produtos, Cañete conseguiu adquirir uma máquina industrial.

Do inferno ao paraíso

“Minha produção passa de quatro mil peças que são comercializadas aqui em Pedro Juan Caballero e também em diversas cidades paraguaias. Além disso, posso dizer com orgulho, que nossas garrafas artesanais já estão espalhadas pelo Brasil, Argentina,  e também Arábia Saudita”, relata o empresário, orgulhoso do seu feito.

Ele confessa que às vezes não consegue nem acreditar que conseguiu deixar para trás o mundo de violência que vivia. “Depois de tudo que passei e de todo sofrimento que causei a mim mesmo e à minha família, posso dizer que sou um sobrevivente. Olhando para o meu passado e agora para o meu presente, me sinto um vencedor e isso também me faz perceber que este lugar pode ser sim um paraíso se a gente quiser”, celebra o empresário.

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