25 de setembro de 2026

Autoridades estudam liberar 4ª dose da vacina contra a Covid-19

A Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização da Covid-19 (Ctai), criada pelo Ministério da Saúde para avaliar medidas de combate, reúne-se amanhã para abrir a discussão sobre a aplicação de uma segunda dose de reforço na população idosa e em profissionais de saúde, ou seja, a quarta dose. 

Apenas Israel e Chile, até a publicação desta matéria, iniciaram a vacinação com a quarta dose nesse público. 

Em Mato Grosso do Sul, há mais de 300 mil doses de vacinas contra a doença para a população acima de 12 anos guardadas no estoque da Secretaria de Estado de Saúde (SES). 

Isso, segundo o diretor de Saúde e Assessor Técnico do Corpo de Bombeiros Militar na Pasta, coronel Marcello Fraiha, daria para iniciar esta outra etapa da campanha. 

Hoje, Mato Grosso do Sul aplica a segunda dose de reforço apenas em pessoas com alto grau de imunossupressão. Para esse público, o intervalo entre a terceira e a quarta dose é de quatro meses.

“Hoje [quarta-feira] cedo, tivemos uma reunião com essa discussão para verificar essa viabilidade. Vamos aguardar posicionamento do Ministério da Saúde. Hoje, aplicamos já nos imunossuprimidos, mas acredito que a qualquer momento o Ministério da Saúde vai tomar essa decisão porque há uma discussão em andamento, e estamos aguardando o resultado sobre como será, em quem, quais grupos e se será acima de 18 anos. Hoje, temos uma quantidade muito boa, no nosso último levantamento eram mais de 300 mil doses na SES, é um estoque suficiente”, declarou Marcello Fraiha.

O assessor técnico da SES afirmou que ainda não há como dizer se a medida deve ser implantada porque não há consenso sobre ela. “Há locais que indicam, outros que ainda estão analisando, então vamos aguardar posicionamento pelo PNI [Plano Nacional de Imunizações]”.

Conforme a secretária extraordinária de enfrentamento à Covid-19 do Ministério da Saúde, Rosana Leite de Melo, se a aplicação for indicada, ela deve começar em março. 

“O intervalo entre a dose de reforço ainda discutiremos, se será de quatro ou seis meses após a primeira dose de reforço, assim, apenas após a discussão técnica que poderemos inferir. Iniciamos o reforço em dezembro, assim a quarta dose poderia iniciar em abril ou em maio”, afirmou ao Correio do Estado.

ESPECIALISTA

Médica infectologista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Ana Lúcia Lyrio comentou sobre as poucas informações que já foram divulgadas sobre pesquisas com a quarta dose. 

“O que sei é que em Israel a quarta dose não protegeu contra a Ômicron. E as indústrias têm de readequar as novas mutações”, afirmou.

Entretanto, a pesquisadora afirma que as doses contra a Covid-19 devem entrar de vez para o calendário anual de vacinação, assim como é feito com a vacina contra a influenza A. 

“Eu sempre falei isso, deve ser como a vacina contra influenza”, declarou a médica.

EM TODO O PAÍS  

A quarta dose em pessoas com alto grau de imunossupressão começou a ser aplicada em dezembro no ano passado em Mato Grosso do Sul e no resto do País. 

A discussão da ampliação desse público para esta segunda dose de reforço também é feita na Alemanha e nos Estados Unidos, por causa do aumento expressivo de casos causados pela variante Ômicron.  

Os primeiros estudos sobre a necessidade de aplicação de uma quarta dose foram feitos em Israel, onde segunda dose de reforço é aplicada em pessoas acima de 60 anos e em outros grupos de risco. 

O Ministério da Saúde israelense divulgou um painel consultivo e recomendou incluir nesse novo reforço todos os adultos, cinco meses após a terceira dose.

De acordo com a pesquisa feita por israelenses, foi analisado resultados de efetividade, que mostraram que aqueles vacinados pela quarta vez alcançaram de três a cinco vezes mais proteção contra casos graves de Covid-19 em comparação com quem recebeu três doses. A defesa contra a infecção pelo vírus Sars-CoV-2 cresceu duas vezes.

A segunda dose de reforço já é aplicada no Brasil, em Botucatu (SP). Lá, a quarta dose é dada para os idosos que residem em instituições de longa permanência.  

VACINAÇÃO

Mato Grosso do Sul tinha até ontem 83,34% da população total vacinada com ao menos uma dose ou dose única contra a Covid-19. Outros 74% tomaram a segunda dose ou única.

Em relação à dose de reforço, o Estado tem 60,87% da população idosa e acima de 18 anos com alguma deficiência e institucionalizada com a terceira aplicação.

Entre as crianças de cinco a 11 anos, público que começou a ser vacinado este mês, o porcentual de cobertura com a primeira dose está em 7,37% no Estado. Foram 22.192 doses aplicadas em um público estimado de 301.026 pessoas.

Em Campo Grande, 75,58% da população total tomou a primeira dose da vacina contra a doença. A Capital tem 71,24% de pessoas imunizadas com a segunda aplicação ou dose única. 

Outras 296.394 tomaram a terceira dose e 922 receberam a segunda dose de reforço. Entre as crianças, 12.446 já receberam doses pediátricas. (Colaborou Mariana Moreira)

5 milhões de doses  

Mato Grosso do Sul ultrapassou ontem a marca de 5 milhões de doses aplicadas contra a Covid-19. Foram 5.009.204 doses aplicadas, das quais 2.084.643 de 1ª dose, 256.838 de dose única, 1.822.056 de 2ª e 844.811 de reforço.

fonte: correiodoestado.com.br

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