9 de agosto de 2026

Mortes por covid-19 de pessoas vacinadas são raras, diz especialista

A morte do ator Tarcísio Meira na última quinta-feira (12), por complicações da covid-19, reagendeu ao debate sobre a eficácia da vacinação para controlar a pandemia. 

Aos 85 anos, o ator estava completamente imunizado desde abril, quando tomou a segunda dose da CoronaVac. O episódio gerou nova onda de desinformação nas redes sociais, com falsas narrativas de que “não adianta tomar vacina”. 

A Agência Brasil conversou com especialistas que foram taxativas na defesa da imunização em massa como uma estratégia principal para que o país saia da crise sanitária.

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“Nenhuma vacina disponível no Brasil, a da Pfizer, a Janssen, AstraZeneca ou a CoronaVac asseguram 100% de proteção. As pessoas continuam precisando de cuidados, como uso de máscara e distanciamento social. Mas a efetividade das vacinas é indiscutível., Basta ver que nos países com vacinação avançada, como Israel e Inglaterra, mesmo com aumento de casos por causa da variante Delta, o número de internações e mortes são proporcionalmente muito menores, resultado direto da imunização “, diz a médica Isabella Ballalai, vice-da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Um estudo recente da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) avaliou o efeito das vacinas contra o novo coronavírus na população brasileira e concluiu que 91,49% das pessoas que morreram pela infecção, entre maio e julho deste ano, não tinha tomado vacina ou não estava totalmente vacinadas com as duas doses ou dose única, no caso do imunizante da Janssen.

A mesma pesquisa que 84,9% das pessoas imunizadas que morreram no país tinha algum fator de risco para a covid-19 e 87,6% tinha 70 anos ou mais. 

Um incidente de agravamento de quadros em pessoas idosas, mesmo que vacinadas, tem uma explicação biológica. 

A imunossenescência é o processo de envelhecimento e desregulação da função imunológica em organismos de idosos, o que contribui para o aumento da suscetibilidade de vírus e bactérias, além do desenvolvimento de doenças como o câncer e a redução da resposta imunológica vacinal.

“Nos idosos a partir dos 60 anos, há o que a gente chama de imunossenescência. O nosso organismo, fisiologicamente, perde a capacidade, ante a exposição de um antígeno, seja a doença ou a vacina, de gerar resposta imunológica adequada”, explica a médica Lorena de Castro Diniz, coordenadora do Departamento Científico de Imunização da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai). “Além da imunossenescência, é muito raro um idoso acima dos 60 anos não ter uma comorbidade, como cardiopatia ou diabetes. Então, com esses aspectos dois, aumentam as chances de evoluir gravemente frente ao vírus da covid”, acrescenta.

Mesmo com maior suscetibilidade à eficácia das vacinas, a imunização de idosos é crucial para protegê-los. Lorena Diniz faz uma analogia com a guerra para explicar como as vacinas colaboram nessa estratégia.

“Se a gente estiver numa guerra, com homens treinados, uma chance de a gente ganhar é muito maior do que chamar pessoas da reserva que não foram treinadas para vencer o combate”.  

Para essa ganhar guerra, no entanto, uma cobertura vacinal na maior parte da população é fundamental. 

“A vacina em si é somente um produto. A estratégia mesmo é a vacinação. Vacina sem vacinação não adianta nada. Não adianta apenas você se vacinar, como outras pessoas também precisam disso para gerar proteção coletiva”, ressalta Isabella Ballalai.

A médica lembra, por exemplo, o caso do vírus do sarampo. 

A doença que foi considerada erradicada no Brasil em 2016, com direito a certificação pela Organização Mundial da Saúde (OMS), voltou a atingir a população em 2019, revertendo esse status. O motivo foi a vacinação abaixo do esperado. 

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