O presidente do Paraguai, Santiago Peña, apresentou a sua renúncia ao cargo nesta quinta-feira (5), em Assunção. A saída ocorre um dia após o Banco Central do Paraguai decretar a intervenção e liquidação do Ueno Bank e horas depois de deputados da oposição protocolarem um pedido de impeachment contra o mandatário.
Segundo a acusação formal apresentada por um bloco de 35 deputados na Câmara Baixa na quarta-feira (4), Peña incorreu em conflito de interesses.
De acordo com o ABC Color, o documento aponta o vínculo societário do presidente com a Ueno Holding, empresa da qual ele foi acionista até 2025. O pedido de afastamento também incluiu o vice-presidente, Pedro Alliana.
Na manhã desta quinta-feira, outros parlamentares, incluindo governistas, declararam voto favorável ao processo de destituição. O presidente do Partido Colorado e aliado político de Peña, Horacio Cartes, também anunciou apoio à cassação do presidente.
Com a renúncia, o processo de impeachment contra Peña é encerrado. Ele havia assumido a Presidência em 15 de agosto de 2023, com mandato previsto até 2028.
Em vídeo nas redes sociais, o presidente afirma que sua renúncia tem o objetivo de garantir a paz social e a preservação das instituições.
Intervenção no Ueno Bank e investigações
De acordo com o BCP, a intervenção no Ueno Bank foi decretada na terça-feira (3) porque o índice de solvência da instituição financeira caiu para menos de 50% do limite mínimo exigido por lei. Horas após o anúncio da medida, o presidente do BCP, Carlos Carvallo, renunciou ao cargo a pedido de Santiago Peña.
O Ministério Público do Paraguai ordenou a prisão de oito diretores do Ueno Bank. Segundo as autoridades locais, todos os executivos já foram detidos. Entre os investigados que compareceram a audiências no Palácio da Justiça, em Assunção, está o diretor Miguel Vázquez.
Nas semanas anteriores à intervenção, Peña havia descartado alertas sobre a situação financeira do banco. Em 27 de outubro, o então presidente pediu calma e classificou a investigação administrativa do BCP como uma questão técnica.
Impacto para clientes e fundos públicos
A resolução do Ueno Bank afeta diretamente correntistas, trabalhadores e recursos do Estado paraguaio.
Os aplicativos e cartões do banco deixaram de funcionar. Segundo dados da própria instituição financeira referentes a junho, a paralisação atinge quase 3 milhões de clientes. O BCP informou que habilitará uma plataforma oficial para o registro e a consulta dos poupadores afetados.
De acordo com associações de segurados, os recursos públicos e de fundos de pensão depositados no Ueno Bank ultrapassam US$ 860 milhões.
Ex-funcionários realizaram manifestações em frente à sede do BCP para cobrar definições sobre a situação trabalhista. Segundo os manifestantes, a medida afeta mais de 400 trabalhadores ligados diretamente ao banco e cerca de 1.500 empregados do Grupo Vázquez. Fonte: Midiamax

