O estado de Mato Grosso do Sul aparece como um dos pontos estratégicos da estrutura logística usada por uma organização criminosa investigada pela Polícia Federal por transportar cocaína e armas da Bolívia e do Peru para o Brasil. O Estado integrava, ao lado de Mato Grosso e Tocantins, uma espécie de ‘triângulo logístico’ que dava suporte terrestre às operações aéreas do grupo.
De acordo com os elementos da investigação, o suporte terrestre era distribuído principalmente por Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins. .
Um dos principais alvos da investigação é o piloto Márcio Rabello Mesquita Theodoro. Segundo o levantamento da PF, ele teria participado de nove operações internacionais entre novembro de 2024 e fevereiro de 2025, período de aproximadamente três meses.
As investigações também apontam que a mesma estrutura poderia ser utilizada para o transporte de armas. Os voos tinham como origem áreas relacionadas à Bolívia e ao Peru, enquanto a organização utilizaria diferentes pontos em território brasileiro para receber e movimentar as cargas.
Empresária presa em Cuiabá
Em Cuiabá, a advogada e empresária Thatiana Rabelo Mesquita Theodoro, irmã de Márcio, foi presa preventivamente. Segundo a PF, ela teria ligação com o núcleo financeiro e patrimonial investigado, com suspeita de participação na movimentação e ocultação de recursos atribuídos ao tráfico internacional.
Durante as buscas em Cuiabá, os policiais apreenderam cerca de R$ 84 mil em espécie, além de joias, relógio, celular e um veículo. A empresária, entretanto, teve a liberdade concedida pela Justiça Federal dois dias depois e nega participação nos crimes investigados.
A Operação Bóreas cumpriu três mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão, além de determinar a apreensão de aeronaves e o bloqueio e sequestro de bens e valores. A PF também solicitou a inclusão de dez investigados na lista de Difusão Vermelha da Interpol.

