16 de outubro de 2026

Campo Grande terá base da Força Nacional do SUS para enfrentar El Niño e desastres naturais

 terá uma base da FN-SUS (Força Nacional do Sistema Único de Saúde) a partir de novembro de 2026 para acelerar a resposta do sistema de saúde em emergências e desastres ambientais. O polo regional, único no Centro-Oeste, foi anunciado nesta sexta-feira (28), em reunião entre Governo Federal, municípios e estados da região.

A reunião é parte dos esforços de preparação para enfrentamento do El Niño, fenômeno climático extremo que se intensifica até o fim do ano e deve alterar o regime de chuvas e provocar ondas de calor em Mato Grosso do Sul. Aumento de incêndios florestais é o principal efeito esperado pela União na Região Centro-Oeste.

A Força Nacional do SUS é um programa que atua para responder a situações de emergência em saúde pública em todo o Brasil. Neste ano, Dourados recebeu apoio da equipe nacional para conter a epidemia de chikungunya, que matou 30 pessoas em Mato Grosso do Sul e registra 12,6 mil casos prováveis.

Só em , são 5,2 mil casos prováveis e 18 mortes, a maioria é de pacientes indígenas que residiam nas aldeias Bororó e Jaguapiru.

A FN-SUS chegou à cidade em 17 de março e ficou um mês, com 40 profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros, técnicos e psicólogos. Até dia 4 de abril, eles atenderam mais de 1,4 mil pessoas na Reserva Indígena, removeram 96 pessoas para hospitais e visitaram 250 domicílios, conforme o Ministério da Saúde.

El Niño e chikungunya

O El Niño pode voltar a intensificar a circulação do vírus chikungunya antes do fim deste ano. Após meses de sucessivas altas e epidemia no Estado, a entrada no período mais seco e com temperaturas mais amenas contribuiu para reduzir a transmissão a partir do segundo semestre.

“Aumento de temperatura está associado à maior replicação do mosquito [Aedes aegypti]. Não só chikungunya, mas dengue também deve circular com mais intensidade”, alerta o infectologista Júlio Croda, da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).

Alerta de incêndios

Previsão de probabilidade de fogo entre setembro e novembro (reprodução)

Mapa apresentado pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) mostra que a maior parte do Estado tem previsão de “atenção” para fogo entre setembro e outubro. Outros municípios – no centro, norte e Bolsão de MS – devem ter estágio de “alerta”, que é mais severo. Outra parcela fica em estado de “observação”.

“Incêndios já estão crescendo em intensidade no país e há uma previsão de que ocorram com maior vigor entre setembro e outubro, especialmente no Centro-Oeste”, afirma Anna Flávia de Senna Franco, representante do Ministério do Meio Ambiente.

Ações de enfrentamento

Entre as ações apresentadas pelo Governo Federal aos outros entes, está o envio de recursos para prevenção de desastres. Mato Grosso do Sul teria previsão de receber R$ 78,9 milhões em investimentos no Novo Pac (Programa de Aceleração do Crescimento).

Além da base da FN-SUS em Campo Grande, o Centro-Oeste também recebeu um Centro de Informação em Saúde e Clima, já em funcionamento em  (MT). Ele atua para integrar a inteligência em saúde, com coleta de dados e análise de impactos epidemiológicos, além de monitorar eventos climáticos.

O Ministério da Casa Civil também afirma ter ampliado a capacidade de monitoramento do tempo e do clima. Em janeiro de 2023, havia quatro estações meteorológicas do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) no Centro-Oeste. Neste ano, já há 127 estações e a previsão do Governo Federal é construir mais 37 no próximo ano.

(reprodução)

El Niño

O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Ele enfraquece os ventos tropicais, altera a circulação atmosférica global e modifica os regimes de chuva e a temperatura em várias partes do planeta.

Em Mato Grosso do Sul, os efeitos variam de um ano para outro e dependem da interação com outros fatores atmosféricos e oceânicos. Segundo a coordenadora do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima), meteorologista Valesca Fernandes, o fenômeno “deve favorecer ondas de calor”.

Até setembro, ele deve atingir MS com intensidade moderada. No entanto, entre setembro e dezembro, o fenômeno pode chegar à intensidade “muito forte”.

Chuva ou seca?

Nos últimos 24 anos, 15 tiveram El Niño, sendo que o fenômeno recebeu a classificação “forte” ou “muito forte” em 2016, 2023 e 2024. Em sete das 15 ocorrências, a temperatura média anual ficou acima do esperado. Além disso, o volume de chuva ficou acima da média em nove desses anos.

Chama a atenção que, em 2024, por exemplo, o El Niño foi classificado como “forte”, mas as chuvas ficaram abaixo da média e as temperaturas, acima. Já em 2016, o fenômeno foi “muito forte”, mas os termômetros terminaram o ano abaixo da média, enquanto as chuvas ficaram acima do esperado.

Populares da Semana

Após ‘strike’ de caminhão, seis postes são recolocados na Raul Pires Barbosa

Após um caminhão fez um verdadeiro strike e derrubar...

Lei de Diretriz Orçamentária para 2025 é sancionada com receita estimada de R$ 26,4 bilhões

O governador Eduardo Riedel sancionou a Lei de Diretriz...

Rio Grande do Sul contabiliza 2,6 mil desalojados após tempestades

A Defesa Civil do Rio Grande do Sul atualizou para 2.686...

Pai e filho são presos por porte ilegal de arma em Dourados

Equipes de Ronda da Guarda Municipal realizavam fiscalização do Toque...

Em Brasília, Riedel participa do 1º Fórum de Governadores do Brasil Central

Eduardo Riedel (PSDB) participa nesta terça-feira (23), em Brasília,...

Artigos Relacionados

Categorias Populares