30 de outubro de 2026

Ministério da Justiça identifica 132 suspeitos ligados a extremismo digital no país

O Ministério da Justiça e Segurança Pública identificou pelo menos 132 suspeitos de envolvimento com crimes digitais associados a extremismo, discurso de ódio e incentivo à violência no Brasil. Os casos foram mapeados entre janeiro e maio deste ano em 21 unidades da Federação, com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas, o Ciberlab.

As informações levantadas pelo núcleo especializado auxiliaram ao menos 10 operações policiais no período. A maior concentração de investigados ocorreu em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, estados que aparecem com volume mais expressivo de alertas e ações relacionadas a grupos digitais violentos.

A operação mais recente da Polícia Federal ocorreu na sexta-feira, 19 de junho, em Jaraguá, em Goiás. O alvo foi um adolescente suspeito de coordenar, por meio de computador, grupos voltados à divulgação de conteúdos extremistas e ao estímulo de práticas criminosas no ambiente on-line.

O avanço desse tipo de investigação ocorre em um cenário de maior preocupação com a radicalização pela internet. O acesso amplo às plataformas digitais facilitou a circulação de discursos violentos e a aproximação entre pessoas com interesse em conteúdos extremistas. Para as autoridades, esse ambiente exige monitoramento técnico constante e resposta rápida das forças de segurança.

Segundo o delegado Paulo Henrique Benelli, coordenador do Ciberlab do Ministério da Justiça, o laboratório atua com tecnologia, inteligência e cruzamento de dados para identificar autores de crimes na internet. O trabalho também busca prevenir ataques contra escolas e apoiar a desarticulação de grupos que usam redes e fóruns digitais para espalhar ameaças.

O monitoramento envolve ambientes públicos e restritos da internet, incluindo áreas menos acessíveis da rede, além de informações repassadas por plataformas digitais e organismos internacionais. A partir desses dados, os analistas produzem relatórios de inteligência, que são enviados às polícias responsáveis pela investigação em cada estado.

De acordo com Benelli, os suspeitos identificados costumam ter entre 9 e 35 anos, com presença frequente de adolescentes na reprodução e ampliação de conteúdos violentos. O delegado afirma que, após a identificação dos grupos e dos responsáveis pela disseminação, o material é encaminhado às forças de segurança com elementos técnicos que ajudam a comprovar autoria e materialidade dos crimes.

As operações realizadas neste ano mostram que o enfrentamento ao extremismo digital passou a depender de integração entre tecnologia, investigação policial e cooperação com plataformas. Para a população, o impacto mais direto está na prevenção de ameaças, na proteção de crianças e adolescentes e na resposta mais rápida a redes que tentam transformar discurso de ódio em ação criminosa.

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