25 de setembro de 2026

Após vacina da dengue ser suspensa por precaução, confira o que muda em MS

A suspensão da Butantan-DV, vacina contra dengue produzida pelo Instituto Butantan, causou muitas dúvidas no Brasil todo. O imunizante foi aplicado apenas em profissionais da saúde em Mato Grosso do Sul e não há relatos de reações adversas graves no Estado. Outras vacinas seguem disponíveis e não representam riscos à população.

Por que a vacinação foi suspensa?

Segundo o Butantan, foram registrados 42 casos de reação adversa, três deles com sinal de gravidade e dois com evolução para óbito, que podem ou não estar relacionados à vacinação. O Instituto ressalta que as reações correspondem a 0,008% de um total de 500 mil doses aplicadas até o fim de maio.

 

“Foi uma medida adotada por precaução diante de 42 casos que aconteceram no país, com sinais de alerta que anteriormente não tinham sido observados nos estudos clínicos ao longo dos anos”, explica a superintendente de Vigilância em Saúde da Sesau, Veruska Lahdo.

“Essa medida é para esclarecer essa situação e investigar esses 42 casos, ver se realmente têm relação com a vacina ou descartar. É uma medida provisória, só por precaução”, diz a superintendente.

 

Superintendente de Vigilância em Saúde da Sesau, Veruska Lahdo. (Foto: Marcos Ermínio, Jornal Midiamax)

Houve reações em Campo Grande?

Em , o imunizante era direcionado para profissionais de saúde vinculados à estratégia de saúde da família. Foram aplicadas 1.033 doses e a Sesau recebeu notificações de 56 reações consideradas leves, que não geraram alertas graves nem necessidade de investigação.

“São aquelas reações comuns a qualquer tipo de vacina”, explica Veruska Lahdo. “Dor no local da aplicação, vermelhidão e aquele desconforto simples”, conclui a superintendente.

Segundo o Instituto Butantan, a maioria dos efeitos relatados após a aplicação da Butantan-DV são leves ou moderados e desaparecem depois de alguns dias. Os mais comuns são dor de cabeça, dores no corpo, dor nos olhos, manchas vermelhas na pele, cansaço extremo, coceira, enjoo, sensibilidade à luz e calafrios.

As crianças correm risco?

Nenhuma vacina deste tipo foi aplicada em crianças. O SUS (Sistema Único de Saúde) utiliza outro imunizante contra a dengue, aplicado em duas doses, para a vacinação do público de 10 a 14 anos. Essa estratégia de vacinação, com a vacina QDenga, será mantida.

“A procura pela QDenga é bem baixa; a gente não tem nem 30% de cobertura aqui em Campo Grande”, lamenta Veruska Lahdo. “A desinformação realmente acaba prejudicando muito o cenário das vacinas. A gente sempre alerta toda a população que, se há dúvida, deve procurar um profissional de saúde”, conclui.

E quem já tomou a vacina?

Quem já se vacinou com a Butantan-DV segue protegido contra quatro tipos do vírus da dengue. A orientação é observar o estado de saúde por até 21 dias após a aplicação da vacina e procurar atendimento médico imediato neste período em caso de aparecimento de sintomas como febre e dor abdominal.

“Quem já tomou há mais tempo não precisa se preocupar, porque não houve nenhum tipo de reação. Agora, quem tomou e não completou ainda 21 dias precisa observar a presença de alguns sinais importantes”, explica Veruska Lahdo.

Sintomas como dor abdominal, febre persistente, sangramentos, tontura, sonolência excessiva, desidratação, vômitos persistentes e sangramento são sinais de alerta. “Aí sim, precisa procurar uma unidade de pronto atendimento”, afirma.

Campo Grande vai devolver doses?

A vacina segue com seu registro válido e as doses já estocadas devem permanecer em cadeias de frio apropriadas, segundo o Instituto Butantan.

A vacinação poderá ser retomada?

Essa decisão depende dos resultados das investigações em andamento. Ainda não é possível estabelecer um prazo para isso, segundo o Instituto Butantan.

Veruska Lahda lembra que a vacina do Butantan passou por larga escala de análises. “Há mais de 13 anos, a gente aguardava a vinda dessa vacina. Foram mais de 500 mil doses aplicadas no país inteiro, então o número de reações adversas é muito baixo perto do benefício que a vacina oferece”, afirma a superintendente.

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