2 de novembro de 2026

Doleiro da fronteira movimentou R$ 375 mi de contrabandistas, diz Receita

Operador financeiro foi um dos alvos da Operação Sicarius, deflagrada hoje em MS e outros 6 estados

Um doleiro da fronteira do Brasil com o Paraguai é apontado como figura central nas operações de lavagem de dinheiro da organização criminosa investigada no âmbito das operações Sicarius I e Sicarius II, deflagradas nesta terça-feira (9) pela Polícia Federal e pela Receita Federal do Brasil.

O bando atua no contrabando de cigarros, na importação ilegal de agrotóxicos, na falsificação de documentos e de placas veiculares e na lavagem de dinheiro. Para atuar na linha internacional entre o Paraguai, Mato Grosso do Sul e o Paraná, contava com o apoio de servidores públicos, principalmente policiais rodoviários federais. A Corregedoria da PRF (Polícia Rodoviária Federal) acompanhou os mandados cumpridos contra os integrantes da corporação.

De acordo com a Receita Federal no Paraná, o doleiro teria movimentado quantia superior a R$ 375 milhões no período entre 2019 e 2024. Apenas em suas contas bancárias pessoais, circularam pelo menos R$ 114 milhões no período.

Para garantir respaldo às ações financeiras da quadrilha, o doleiro controlava contas em nome de “laranjas” e de empresas de fachada. O nome dele e seu local de atuação não foram revelados.

Na manhã de hoje, os agentes federais saíram às ruas para cumprir 44 mandados de prisão preventiva, 14 de prisão temporária, 62 de busca e apreensão, 45 de sequestro e bloqueio de contas bancárias, 5 ordens judiciais de cancelamento de CPFs, 7 ordens judiciais de cancelamento de CNPJs e 67 ordens judiciais para instauração de procedimentos administrativos fiscais contra empresas do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Alagoas e Pernambuco. Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Criminal da Justiça Federal de Guaíra (PR).

Em Mato Grosso do Sul, os mandados foram cumpridos em Mundo Novo, Eldorado, Maracaju e Nova Andradina. A reportagem apurou que pessoas físicas e jurídicas foram alvos dos mandados.

Já em Nova Andradina, os agentes estiveram na sede de uma empresa de transporte. Um caminhão que pertenceu à empresa havia sido apreendido com carga de contrabando da organização criminosa, mas o empresário apresentou documentos comprovando a venda do caminhão, que não tinha sido transferido pelo comprador.

A Superintendência estadual da PRF informou, por meio da assessoria de comunicação, que nenhum policial rodoviário federal de Mato Grosso do Sul é alvo das operações. Entretanto, pelo menos três agentes da PRF foram presos na região de Guaíra, epicentro das investigações.

De acordo com a Polícia Federal, o grupo criminoso possuía uma estrutura com divisão de funções e com atuação em diversos estados através de empresas de fachada, interpostas pessoas (“laranjas”) e mecanismos de ocultação patrimonial para dissimular a origem ilícita do dinheiro obtido com as atividades criminosas. Fonte: Campo Grande News

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