25 de setembro de 2026

Riedel apoia decisão dos EUA contra facções e cobra reforço federal na fronteira

O governador Eduardo Riedel (PP) afirmou nesta sexta-feira (29) que é “bem-vinda” a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. A declaração foi dada durante evento no Tribunal de Contas do Estado.

A fala ocorre um dia depois de o Departamento de Estado dos EUA anunciar que as duas facções brasileiras serão enquadradas como organizações terroristas internacionais. Para Riedel, a medida pode ajudar no combate a grupos criminosos que já atuam além das fronteiras do Brasil. “Tudo que soma no combate é importante”, afirmou o governador.

Riedel disse que Mato Grosso do Sul tem uma situação “muito específica” por causa da fronteira, rota usada pelo tráfico internacional. Segundo ele, PCC e CV já devem ser tratados como organizações com atuação fora do território brasileiro.

“Nós temos aqui uma fronteira com o Paraguai e Bolívia. O PCC e o Comando Vermelho já são organizações internacionais”, declarou.

Ao apoiar a medida americana, o governador direcionou a cobrança principal ao governo federal. Ele defendeu reforço da PF (Polícia Federal), da PRF (Polícia Rodoviária Federal) e das estruturas de inteligência nas regiões de fronteira.

“O governo federal deve reforçar essas ações, principalmente da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, das forças de inteligência federal nas fronteiras. A gente vem cobrando muito isso do governo federal. Falta efetivo, falta estrutura para que a gente tenha maior efetividade”, disse.

Riedel afirmou que as forças estaduais têm atuado de forma integrada com órgãos nacionais, mas insistiu que a presença federal precisa ser ampliada. Segundo ele, a fronteira exige ação permanente para impedir que facções usem Mato Grosso do Sul como corredor do crime organizado.

O governador também disse que o Estado tem combatido a tentativa de instalação de facções, especialmente na região norte de Mato Grosso do Sul. “Aqui a gente tem uma ação muito firme. A presença de qualquer organização criminosa no Estado é combatida com mão firme. Vocês estão vendo aí o enfrentamento no norte. Não estamos deixando essas facções se instalarem aqui. Elas estão buscando esse espaço, mas não estamos deixando”, afirmou.

Ao tratar do controle territorial, Riedel afirmou que não há áreas em Mato Grosso do Sul dominadas por facções. O governador disse que o Estado não pretende permitir a criação de zonas onde o poder público não consiga entrar.

“Nós vamos ser intransigentes, já somos e continuaremos a ser. O enfrentamento ao crime organizado deve ser feito de maneira muito firme, para a gente não perder território onde o Estado não possa chegar”, declarou.

Em seguida, reforçou: “a gente não tem isso no Estado. Em qualquer lugar do território sul-mato-grossense nós temos domínio. Nós não vamos perder esse domínio para facção criminosa”.

Riedel também avaliou que a decisão dos Estados Unidos não deve provocar, no curto prazo, uma ação direta em Mato Grosso do Sul. Segundo ele, os norte-americanos já têm atuação forte no Paraguai e devem ampliar medidas voltadas ao combate dessas organizações criminosas naquele país.

“Eu não acredito nisso no curto prazo. Os Estados Unidos já têm uma ação muito forte no Paraguai e acho que vão implementar especialmente em cima dessas organizações criminosas”, afirmou.

A decisão dos EUA inclui o enquadramento de PCC e CV como grupos ligados ao terrorismo internacional. Essa medida aumenta o alcance de sanções financeiras, restrições e ações de bloqueio contra pessoas ou empresas acusadas de ligação com as facções.

No Brasil, o tema provoca debate. Parte dos especialistas e autoridades vê a medida como instrumento de pressão contra o financiamento do crime organizado. Outra parte avalia que a classificação pode abrir margem para interferência externa e criar tensão diplomática…. veja mais em https://www.campograndenews.com.br/politica/riedel-apoia-decisao-dos-eua-contra-faccoes-e-cobra-reforco-federal-na-fronteira

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