25 de setembro de 2026

Com sete mortes, MS concentra quase metade dos óbitos por chikungunya no Brasil

Mato Grosso do Sul enfrenta um cenário crítico de chikungunya, com 11 municípios em situação de epidemia, sete mortes confirmadas e mais de 3 mil casos prováveis em 2026. O cenário coloca o Estado como o epicentro da doença no país somente nos primeiros três meses do ano.

Em comparação com 2025, quando foram registradas 17 mortes, o total atual já representa 41,18% dos óbitos contabilizados em todo o ano passado, o que indica um avanço acelerado da doença.

 

Perfil epidemiológico

Dados do painel de arboviroses do Ministério da Saúde apontam que, em Mato Grosso do Sul, os homens são maioria entre os infectados e representam 57% dos casos, contra 43% entre as mulheres.

No cenário nacional, porém, a predominância é feminina, mulheres correspondem a 58% dos casos prováveis, enquanto os homens somam 42%. A faixa etária mais afetada está entre 20 e 49 anos, com destaque para pessoas de 20 a 29 anos e de 40 a 49 anos.

Indígenas são 70% das mortes por chikungunya em MS

Indígenas com suspeita de chikungunya (Fala Povo Midiamax)

Em relação à raça/cor, a maioria dos casos de chikungunya no país acometeu pessoas que se declaram pardas (55,51%), seguidas por brancas (30,98%). Pretos (5,75%), indígenas (2,15%) e amarelos (1,02%) aparecem em menores proporções.

Em Mato Grosso do Sul, no entanto, o recorte é mais preocupante: 71,43% dos óbitos registrados ocorreram entre indígenas. Das sete mortes confirmadas no estado, cinco foram registradas em aldeias de Dourados. Entre as vítimas estão dois bebês, de 1 e 3 meses, e três idosos, de 60, 69 e 73 anos.

O óbito mais recente foi confirmado no sábado (28). A vítima, uma mulher de aproximadamente 80 anos, morava em Jardim, a 239 quilômetros de Campo Grande. A cidade, com pouco mais de 23 mil habitantes, contabiliza cerca de 261 casos prováveis da doença, com incidência de 1.065 casos por 100 mil habitantes — índice que caracteriza situação de epidemia.

Além disso, Bonito, a 225 km da Capital, também registrou uma morte pela doença. A vítima é um idoso de 72 anos. O município soma 57 casos confirmados de chikungunya, além de 74 casos suspeitos.

MS lidera incidência de casos

Mato Grosso do Sul também lidera a incidência da doença no país, com 110,7 casos por 100 mil habitantes. Ao todo, são 3.237 casos prováveis, à frente de unidades federativas como Goiás (84,4) e Rondônia (27,9), o que reforça o cenário de alerta para a circulação do vírus.

Do total de notificações, 56,67% dos casos foram confirmados, enquanto 43,3% seguem em investigação. A maioria das confirmações (55,6%) ocorreu por critério clínico-epidemiológico, e 44,4% por exames laboratoriais.

Quanto à evolução dos casos, os óbitos estão igualmente distribuídos entre aqueles diretamente atribuídos à doença e os que ainda permanecem em investigação.

Dourados decreta situação de emergência

Mutirão combate chikungunya em Dourados. ( Prefeitura de Dourados)

Com o avanço da doença, a Prefeitura de Dourados decretou situação de emergência em saúde pública na última sexta-feira (27). Conforme o decisão publicada em edição suplementar do Diário Oficial do município, o decreto tem validade de 90 dias.

Este é o segundo decreto sobre o tema em uma semana. O anterior considerava a situação da chikungunya na região da Grande Dourados, enquanto o mais recente detalha as áreas afetadas dentro do município.

Na mesma data, o Ministério da Saúde autorizou o repasse de R$ 900 mil para reforçar as ações de combate à doença. O recurso será transferido em parcela única do Fundo Nacional de Saúde ao fundo municipal e deverá ser utilizado em estratégias como vigilância epidemiológica, controle do mosquito Aedes aegypti, qualificação da assistência e apoio às equipes de saúde.

O que é a chikungunya

Mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue. (Foto: Arquivo Midiamax)

A chikungunya é uma arbovirose causada pelo vírus CHIKV e transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectada. O vírus foi introduzido nas Américas em 2013, quando provocou epidemias em diversos países.

Os sintomas são semelhantes aos da dengue, mas costumam ser mais intensos e duradouros. Febre alta e dores articulares marcantes são características da doença, podendo persistir por mais de 15 dias. Em mais da metade dos casos, as dores nas articulações podem se tornar crônicas e durar anos.

Além disso, a doença pode provocar complicações cardiovasculares, renais, dermatológicas e neurológicas, incluindo encefalite, mielite, síndrome de Guillain-Barré e outras condições graves. Em casos mais severos, pode haver necessidade de internação e risco de morte.

Diante de sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico para diagnóstico adequado. Os exames laboratoriais e testes diagnósticos estão disponíveis pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

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