25 de setembro de 2026

Após estruturar frota, MS equipa 79 municípios com bombas costais para combater o Aedes

Equipamentos chegam em meio ao avanço das arboviroses e ampliam a capacidade de resposta das equipes locais

O Governo do Estado, por intermédio da SES (Secretaria de Estado de Saúde), está equipando os municípios com 150 bombas costais para intensificar o combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika. O investimento é de R$ 650.498,00, com recursos próprios e os equipamentos serão distribuídos aos 79 municípios conforme a demanda e critérios técnicos.

A entrega reforça as ações de vigilância em saúde justamente em um período de maior pressão sobre os serviços, com diversas localidades já registrando aumento de casos e até surtos de arboviroses. “Estamos vivendo um momento em que alguns municípios já enfrentam surto, e a resposta precisa ser rápida e integrada. O Estado atua no apoio técnico e estrutural, mas esse trabalho só tem resultado quando há alinhamento com os municípios e execução efetiva no território”, destacou a secretária-adjunta da SES, Crhistinne Maymone.

Equipamentos ampliam resposta em cenário de aumento de casos

As bombas costais são utilizadas na aplicação de inseticidas em áreas estratégicas, como residências, terrenos e locais com maior incidência do mosquito, permitindo bloqueios mais ágeis e direcionados.

Segundo o coordenador de Controle de Vetores da SES, Mauro Lúcio Rosário, o equipamento funciona por meio de um reservatório acoplado às costas do agente, que pressuriza e pulveriza o inseticida de forma direcionada, alcançando pontos onde o vetor está presente com maior precisão.

“A bomba costal permite uma aplicação mais precisa do inseticida, alcançando locais onde o mosquito está, principalmente em ações de bloqueio, o que aumenta a efetividade do controle vetorial”.

Trabalho integrado entre Estado e municípios

Superintendente de Vigilância em Saúde, Larissa Castilho, destaca que os equipamentos têm impacto direto na atuação das equipes em campo, especialmente nas áreas com maior incidência. Segundo ela, a aplicação direcionada permite respostas mais rápidas e eficientes nos bloqueios.

“Essas bombas ampliam a capacidade de resposta das equipes, principalmente nas áreas com maior incidência. Com a aplicação direcionada, conseguimos agir com mais rapidez nos bloqueios e reduzir a circulação da doença”.

Em Paraíso das Águas, o secretário municipal de saúde, Ueder Pereira de Paula, destaca o apoio estrutural recebido recentemente. “Foi disponibilizada uma caminhonete pelo governo, isso ajuda muito o município de pequeno porte. A gente tem uma assistência sim, eu acho que dá para agregar Estado com o município”, conta.

Para Ueder, além do esforço do poder público é preciso maior conscientização. “O Estado está fazendo a parte dele, o município tenta fazer a dele, mas os moradores às vezes não fazem a parte deles, principalmente dentro da casa que está o foco mesmo”, pontua.

Organização e prevenção mantêm cenário controlado

Em Porto Murtinho, o gerente de Vigilância em Saúde, Vilso de Campos, explica que o município tem conseguido manter os índices sob controle a partir de um trabalho contínuo, que combina prevenção, organização das equipes e monitoramento constante.

Segundo ele, mesmo diante do cenário estadual, a situação local segue estável. “Nós, pela situação que está o Estado e a gente tem acompanhando, estamos assim, um pouco tranquilos, porque estamos num patamar bem legal. Nós temos notificação, mas os casos não são positivos”.

Vilso atribui o resultado ao investimento em educação em saúde e à atuação estruturada das equipes de campo, com foco tanto na orientação da população quanto nas ações diretas de controle de vetores.

Ele também destaca que o uso estratégico dos equipamentos é essencial, principalmente em períodos de chuva, quando há maior acúmulo de água e proliferação do mosquito, o que exige intervenções rápidas em pontos considerados críticos do município.

Segundo ele, a bomba costal enviada pelo Governo vai permitir a cobertura de cerca de 180 casas diariamente, num esquema de revezamento entre os agentes.

Reforço chega após período crítico em municípios

Em Vicentina, a secretária municipal de saúde, Ludelça Dorneles dos Santos, relembra o surto de chikungunya enfrentado no ano passado e afirma que o município mantém as ações para evitar novo cenário crítico.

Ela destaca que, mesmo com a situação mais controlada neste momento, o trabalho segue intensificado e o reforço de equipamentos chega em um momento oportuno. “Ano passado a gente teve um surto de chikungunya lá. Foi bem sofrido, muito difícil. Mas esse ano a gente está trabalhando”.

“O Estado teve ali lado a lado, a gente teve muito apoio… estamos trabalhando para que a gente não passe pelo que passamos, considerando que na nossa macrorregião a situação está bem complicada, somos vizinhos de Dourados. Então estamos trabalhando para não passar pelo que passamos”.

Segundo a gestora, a chegada das novas bombas fortalece diretamente a atuação dos agentes, que atualmente usam bombas costais enviadas pelo Governo nos anos anteriores.

Ela ressalta o apoio contínuo do Estado durante os períodos mais críticos. “Toda ajuda é bem-vinda e o Estado tem feito esse trabalho de parceria com os municípios no combate à dengue e à chikungunya e a gente fica grato”, afirmou.

“Essa bomba costal que a gente está recebendo agora vai ajudar muito no trabalho mesmo dos agentes”, finaliza.

Assinaturas dos termos de entrega dos equipamentos foram feitas em reunião da CIB (Comissão Intergestores Bipartite), na última semana

Desafio é mudar comportamentos

Fátima do Sul está entre os municípios com maior incidência recente de chikungunya e tem intensificado as ações de controle, com foco na eliminação de criadouros e bloqueio de áreas críticas. A cidade conta com quatro bombas costais, fumacê e diversos pontos de instalação de ovitrampa. E realizou há cerca de 30 dias ação que cobriu cerca de 700 quarteirões, com varredura e eliminação de focos.

Mesmo com o trabalho intensivo, a secretária municipal de saúde, Regiane Freire, relata que o cenário ainda exige atenção redobrada e mobilização constante das equipes. “Nós estamos com alta incidência com chikungunya no município. Tivemos fazendo ações intensivas lá com as bombas costais”.

Ela também aponta desafios relacionados a hábitos da população, que acabam contribuindo para a proliferação do mosquito. “Temos moradores que juntam água da chuva pra molhar planta e lavar calçada, mas não deixam eliminarmos”, pontua. Na ação realizada recentemente, foram detectados uma série de criadouros nos vasos de plantas colocados sobre os túmulos nos cemitérios.

Cuidados que fazem a diferença no combate ao mosquito

A prevenção continua sendo a principal arma contra a dengue e a chikungunya. A orientação é que a população elimine qualquer recipiente que possa acumular água parada, como garrafas, pneus, calhas entupidas e pratos de plantas — substituindo a água por areia sempre que possível. Também é importante manter caixas d’água bem vedadas e redobrar a atenção com locais menos visíveis, como ralos externos e objetos nos quintais.

Mais do que ações pontuais, o enfrentamento ao mosquito depende de um compromisso diário. Com atitudes simples e constantes, cada morador contribui para reduzir os focos e proteger não só a própria casa, mas toda a comunidade.

Reforço na frota

A estruturação da frota da Vigilância em Saúde em Mato Grosso do Sul incluiu a entrega de mais de 50 caminhonetes a municípios de todas as regiões do Estado, em etapas realizadas em fevereiro e novembro, reforçando a atuação das equipes em campo. Os veículos ampliam a mobilidade e dão suporte às ações de vigilância, como visitas domiciliares, bloqueios e controle vetorial, garantindo mais agilidade e alcance no enfrentamento às doenças.

Danúbia Burema, Comunicação SES
Fotos: Divulgação

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