O documento do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) que baseou o cumprimento de 24 mandados de prisão preventiva e dois temporários na Operação Infiltradas revela que os policiais tinham esquema organizado com traficantes sobre entregas e pagamentos das drogas.
Diálogos ocorridos em 2022 entre traficantes, que eram responsáveis por revender os entorpecentes adquiridos por meio dos policiais — em sua maioria civis —, revelam que existia um esquema organizado e uma dinâmica de fornecimento imposta pelos agentes. Conforme as informações, para a liberação de novas cargas de drogas, exigia-se o pagamento integral de remessas anteriores.
“E aí, mané, deixa eu falar para você. Oh, viad*, cê não vai mandar o bagulho aí, não? O cara tá me cobrando aqui, mané, tá ligado? Ele quer trazer mais aqui, mas tem que acertar o bagulho, aí eu fico dependendo de você, tá ligado?“, teria dito Lucas.
Conforme o Gaeco, existia preocupação com a iminente indisponibilidade dos ilícitos. No entanto, os policiais civis mantinham estoque para entrega imediata, e a disponibilidade decorria do próprio acervo de drogas apreendidas, mantido em estoque contínuo e sob custódia estatal.
Férias
Ainda naquele ano, ‘LK’ enviou áudios nos quais enfatizou a urgência em pagar os policiais civis pelo fornecimento de cocaína, em razão do período de férias. “Para, mané, para de mula, tira o é da nossa janta. Nós temos que pagar lá o bagulho, v*ado, entendeu? Os cara vai entrar de férias, mané, essa semana, acho que quinta-feira eles entra de férias, mané […].”
Ao Jornal Midiamax, a defesa de Lucas, representada pelo advogado Tiago Bunning, informou que Lucas da Silva já estava preso preventivamente e respondendo a uma ação penal. Com isso, não existem fatos novos que justifiquem uma nova prisão, sobretudo de seus familiares.
Operação Infiltrados
A Operação Infiltrados, do Gaeco, investiga um esquema de desvio de drogas apreendidas por agentes de segurança, principalmente cocaína. Segundo o MPMS, parte dos entorpecentes seria omitida dos registros ou retirada de depósitos policiais e depois repassada a traficantes para retornar ao mercado ilegal. A investigação começou em outubro de 2025.
As investigações foram iniciadas em outubro de 2025, a partir de provas descobertas nas operações Traquetos e Blindspot, que revelaram, segundo o MPMS, a participação de vários policiais em um esquema de desvio de drogas, especialmente cocaína.

Desvio de drogas
Segundo o MPMS, o modus operandi adotado pela organização criminosa consistia no desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais, seja por meio da omissão — nos registros formais — de parte da droga efetivamente arrecadada, seja pela subtração de entorpecentes diretamente do depósito da delegacia.
Segundo a investigação, os policiais suspeitos de integrar a organização criminosa se valiam de suas funções públicas exercidas no combate à criminalidade para atuar como fornecedores para o tráfico.


