A presidente da Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande, Alir Terra Lima, vai cumprir prisão preventiva no Presídio Militar da Capital. Por conta da prerrogativa de advogados, ela e o diretor adjunto de finanças, Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, vão ficar na unidade, que tem cela especial.
Os seis ainda devem passar por audiência de custódia nas próximas horas. Eles são suspeitos de integrar um suposto esquema de fraude que causou prejuízo de R$ 3,5 milhões.
Operação mira esquema de fraude em contratos da Santa Casa de Campo Grande
Em 11 de setembro de 2026, o MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) — através do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) — realizou a Operação Antidotum, contra um suposto esquema de fraude em contrato da Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande.
Foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão, em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).
- Alir Terra Lima, presidente da Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande;
- Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, diretor adjunto de finanças do hospital;
- Rinaldo Hakme Romano, ex-diretor financeiro do hospital;
- Alessandro Dias Junqueira, ex-diretor administrativo do hospital;
- Monique Gregório de Oliveira, coordenadora do Serviço de Arquivamento Médico e Estatística do hospital;
- Maurício Aparecido Benites, empresário.
As investigações apontaram possíveis fraudes e desvios de dinheiro em contrato firmado pela ABCG (Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande) — mantenedora da unidade — para a prestação de serviços de digitalização de prontuários, no qual foram efetuados pagamentos elevados sem a devida prestação de serviços.
O contrato previa pagamento de R$ 1,8 milhão por ano e tinha vigência de três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Somente no primeiro ano de vigência, o desvio de recursos totalizou R$ 1,4 milhão.
Somente em 2025, a Santa Casa Saúde pagou R$ 9,6 milhões para essas empresas e gerou um prejuízo de, no mínimo, segundo apurado até o momento, R$ 3,5 milhões.
Além disso, contratos, pagamentos e prestações de contas eram sistematicamente sonegados dos órgãos de controle, incluindo o Conselho Fiscal da Santa Casa e a CGE-MS (Controladoria-Geral de MS).
A ação contou com apoio operacional do BPChq/PMMS (Batalhão de Choque da Polícia Militar de MS) e a participação da Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados da OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil Seccional de MS).
“Antidotum”, termo que dá nome à operação, traduz-se do latim como “antídoto” e significa contraveneno ou contramedida, substância que neutraliza ou impede a ação nociva de uma toxina no organismo. Também é usado no sentido figurado como recurso ou solução contra um problema.


