A carne bovina ganhou força no comércio exterior de Mato Grosso do Sul no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, as exportações da proteína alcançaram US$ 1,17 bilhão, alta de 47,9% em relação aos US$ 791,8 milhões registrados no mesmo período de 2025. Em volume, foram embarcadas 198,1 mil toneladas, crescimento de 23,4%.
Principais números das exportações de carne bovina de MS:
- US$ 1,17 bilhão em receita no primeiro semestre;
- 47,9% de crescimento na receita em relação a 2025;
- 198,1 mil toneladas embarcadas;
- 23,4% de aumento no volume exportado;
- 20,6% de participação da carne bovina no valor exportado pelo agronegócio;
- 109% de crescimento no valor das compras da China;
- 41,7% de alta nas vendas para os Estados Unidos;
- 19,7% de valorização no preço médio da carne exportada.
O desempenho ampliou a participação da carne bovina na pauta do agronegócio estadual. A proteína respondeu por 20,6% do valor exportado pelo setor, ficando próxima da celulose, que representou 25,3%. A soja permaneceu na liderança entre os principais produtos.
No total, o agronegócio sul-mato-grossense movimentou US$ 5,68 bilhões em exportações no primeiro semestre, avanço de 12,4% diante dos US$ 5,05 bilhões registrados nos seis primeiros meses de 2025. O setor foi responsável por 96,1% de todas as vendas externas de Mato Grosso do Sul no período.
A China foi o principal destaque entre os compradores da carne bovina de MS. O valor das compras chinesas cresceu 109% no primeiro semestre, enquanto as vendas para os Estados Unidos avançaram 41,7%. Outro fator decisivo para o aumento da receita foi a valorização do produto, com alta de 19,7% no preço médio da carne exportada.
Segundo análise da Famasul, o resultado está relacionado ao aumento da demanda internacional e à competitividade da proteína brasileira. Mesmo com redução no número de animais abatidos, a valorização da carne ajudou a sustentar o crescimento da receita obtida com as exportações.
A atividade também teve reflexos no mercado de trabalho. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontam que a criação de bovinos registrou saldo positivo de 455 empregos formais no primeiro semestre. Considerando o conjunto da pecuária, o saldo chegou a 611 novas vagas em Mato Grosso do Sul.
Exportações seguem avançando em julho
Os números acumulados até julho indicam que o desempenho positivo continuou. No período de janeiro a julho, as exportações de produtos bovinos de Mato Grosso do Sul chegaram a US$ 1,33 bilhão, crescimento de 42,6% sobre os US$ 932,8 milhões registrados nos sete primeiros meses de 2025.
O volume embarcado também avançou, passando de 175,8 mil para 211,8 mil toneladas, alta de 20,4%. O resultado mantém a carne bovina entre os principais produtos da pauta exportadora estadual.
Apesar do crescimento acumulado, julho apresentou uma mudança no ritmo. A receita das exportações de carne bovina recuou 17% em relação a junho, enquanto as vendas para a China caíram 46% no mesmo intervalo.
China impõe novo cenário comercial
Para o segundo semestre, um dos principais pontos de atenção está no mercado chinês. O país estabeleceu uma cota de 1,106 milhão de toneladas para a carne bovina brasileira, com tarifa de importação de 12%. Para volumes que ultrapassarem o limite, está prevista uma tarifa adicional de 55%.
A medida aumenta a importância da diversificação dos destinos comerciais para frigoríficos e produtores de Mato Grosso do Sul. A estratégia pode ampliar a presença da carne estadual em mercados que oferecem maior remuneração e reduzir a dependência de um único comprador.
A União Europeia também representa uma oportunidade e, ao mesmo tempo, um desafio. Novas exigências de rastreabilidade e comprovação da origem dos produtos devem ganhar peso a partir do fim de 2026, aumentando a necessidade de controle sobre a cadeia produtiva e a procedência da carne.
O cenário para os próximos meses dependerá da demanda internacional, do comportamento dos preços, do câmbio e das condições de acesso aos principais mercados. Para Mato Grosso do Sul, a capacidade de ampliar destinos e atender às exigências de rastreabilidade será determinante para transformar o forte desempenho do primeiro semestre em um resultado ainda mais expressivo no fechamento do ano.

