10 de setembro de 2026

Com PCC e CV na lista de terrorismo dos EUA, fronteira de MS entra no radar da CIA

A decisão anunciada pelo governo dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas brasileiras PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como terroristas afeta o enfrentamento a esses grupos, que dominam o país e atuam fortemente na faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul com a Bolívia e o Paraguai.

medida abre várias frentes em que os norte-americanos poderão atuar em todo o país, inclusive em Mato Grosso do Sul, nas áreas financeira, jurídica e militar.

Para se ter uma ideia da movimentação financeira desses dois grupos, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontou que, somente no ano de 2022, as facções brasileiras movimentaram cerca de R$ 146 bilhões.

 

Um dos pontos de preocupação do governo brasileiro é uma possível intervenção militar, assim como ocorreu na Venezuela. O governo dos EUA já se utilizou dessa justificativa de terrorismo para bombardear embarcações no Caribe, por exemplo.

No entanto, especialistas ouvidos pela BBC News Brasil dizem ser improvável ato semelhante e que a frente financeira é a mais plausível neste momento.

Atualmente, o Brasil conta com apoio do FBI — especialmente agências antidrogas — no combate a essas organizações. Isso deixaria de existir, já que o assunto passaria para o controle da CIA, a agência de inteligência dos Estados Unidos.

MS fica sob vigilância da CIA

A entrada oficialmente da CIA no combate ao PCC e ao CV muda o jogo. Isso porque o trabalho conduzido antes, pelo FBI, focava em crimes específicos como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Agora, a abordagem muda para o assunto de segurança nacional para os EUA. Assim, a CIA pode conduzir operações de espionagem sigilosas, com interceptações cibernéticas por satélite e infiltrações que não precisam passar por processo judicial público.

O impacto inicial pode acontecer já na região de , mais especificamente ‘do outro lado da rua’, na cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero.

Isso porque, recentemente, o Paraguai autorizou a presença de militares e agentes de inteligência dos EUA em seu território. Aliás, a medida já sinalizava essa possível decisão de Trump.

Encontro de autoridades paraguaias que classificou facções brasileiras como terroristas. (Divulgação/Presidência do Paraguai)

Tudo isso pode facilitar a atuação norte-americana na fronteira. As próprias forças de segurança paraguaia terão mais recursos para caçar lideranças de facções na região.

A faixa de fronteira de MS pode ser foco de um forte sistema de ‘vigilância invisível’ por parte dos EUA, que dispõem de satélites militares e drones de alta vigilância voltados para contraterrorismo.

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