A decisão anunciada pelo governo dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas brasileiras PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como terroristas afeta o enfrentamento a esses grupos, que dominam o país e atuam fortemente na faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul com a Bolívia e o Paraguai.
A medida abre várias frentes em que os norte-americanos poderão atuar em todo o país, inclusive em Mato Grosso do Sul, nas áreas financeira, jurídica e militar.
Para se ter uma ideia da movimentação financeira desses dois grupos, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontou que, somente no ano de 2022, as facções brasileiras movimentaram cerca de R$ 146 bilhões.
Um dos pontos de preocupação do governo brasileiro é uma possível intervenção militar, assim como ocorreu na Venezuela. O governo dos EUA já se utilizou dessa justificativa de terrorismo para bombardear embarcações no Caribe, por exemplo.
No entanto, especialistas ouvidos pela BBC News Brasil dizem ser improvável ato semelhante e que a frente financeira é a mais plausível neste momento.
Atualmente, o Brasil conta com apoio do FBI — especialmente agências antidrogas — no combate a essas organizações. Isso deixaria de existir, já que o assunto passaria para o controle da CIA, a agência de inteligência dos Estados Unidos.
MS fica sob vigilância da CIA
A entrada oficialmente da CIA no combate ao PCC e ao CV muda o jogo. Isso porque o trabalho conduzido antes, pelo FBI, focava em crimes específicos como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Agora, a abordagem muda para o assunto de segurança nacional para os EUA. Assim, a CIA pode conduzir operações de espionagem sigilosas, com interceptações cibernéticas por satélite e infiltrações que não precisam passar por processo judicial público.
O impacto inicial pode acontecer já na região de Ponta Porã, mais especificamente ‘do outro lado da rua’, na cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero.
Isso porque, recentemente, o Paraguai autorizou a presença de militares e agentes de inteligência dos EUA em seu território. Aliás, a medida já sinalizava essa possível decisão de Trump.

Tudo isso pode facilitar a atuação norte-americana na fronteira. As próprias forças de segurança paraguaia terão mais recursos para caçar lideranças de facções na região.
A faixa de fronteira de MS pode ser foco de um forte sistema de ‘vigilância invisível’ por parte dos EUA, que dispõem de satélites militares e drones de alta vigilância voltados para contraterrorismo.


