25 de setembro de 2026

Laudo aponta falha na entubação de menino que morreu após saga em UPA de Campo Grande

Laudo sobre a morte de João Guilherme Jorge Pires aponta uma suposta falha na entubação feita na UPA (Unidade de Pronto Atendimento), onde o menino foi atendido após uma queda enquanto jogava futebol. João morreu nesta terça-feira (7).

João Guilherme, de 9 anos, estava com o joelho trincado e passou por exames de raio-x, mas somente na quarta ida à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) foi detectada a lesão. Ele foi entubado na segunda-feira (6) e transferido para a Santa Casa, onde foi entubado novamente, mas não resistiu.

A mãe afirma que o filho não recebeu o atendimento médico adequado, pois não foram feitos exames para verificar as dores de que João Guilherme estava se queixando.

O documento do encaminhamento do corpo relata que a vítima foi transportada pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) até a Santa Casa. Ele havia sofrido um trauma há três dias, procurou atendimento e, após diagnóstico de fratura, a perna e o joelho esquerdo foram imobilizados.

Por volta das 20h30, João Guilherme deu entrada na UPA do bairro Universitário desacordado e foi entubado, momento em que foi percebida grande quantidade de sangue em via aérea.

“Ao chegar na UPA para o transporte, o Samu encontrou paciente em PCR (AESP) com o tubo mal fixado. Realizado 3 ciclos de RCP, retornando pulso”, diz trecho do documento.

No início da madrugada de terça-feira (7), por volta de 0h10, João Guilherme teria dado entrada na Santa Casa com a equipe do Samu. “Iniciamos os cuidados com o mesmo, coleta de exames e preparativo para troca de tubo com escape”, descreve o documento emitido pela Santa Casa.

Durante os preparativos para a troca do tubo, o menino sofreu parada cardiorrespiratória e a equipe realizou oito ciclos de reanimação. A criança continuou com sangramento ativo nas vias aéreas e não resistiu. O óbito foi constatado às 1h05 da madrugada.

Na quarta-feira (8), a família de João Guilherme disse ao Jornal Midiamax que o menino foi vítima de negligência. “No laudo da Santa Casa, eles disseram que foi uma entubação errada […] Foi negligência, uma criança de 9 anos e saudável, com toda a vida pela frente, por um erro médico, acabou perdendo a vida”, falou a tia Adriana Soares.

Descaso foi denunciado à polícia

João Guilherme estava jogando bola na última quinta-feira (2) quando caiu e foi levado para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do bairro Tiradentes. Lá, a criança passou por consulta, fez um raio-x e foi liberado com uma receita para dipirona e ibuprofeno. A mãe relatou que ele não apresentava lesão na perna esquerda, mas sentia dor.

“Estava jogando bola quando caiu. Foi uma queda aparentemente normal, como de qualquer criança. Mas a gente nunca imagina que uma queda, que trincou o joelho, pudesse levar a óbito”, lamentou Adriana à reportagem.

Idas e vindas nas unidades

No dia seguinte, a mãe notou que João não estava bem e levou o filho para a UPA do bairro Universitário, onde passou por consulta novamente e foi liberado com receita para a mesma medicação de quinta-feira (2).

Já no sábado (4), o menino foi levado novamente para a UPA do Universitário, passou por consulta e recebeu uma injeção. Naquele dia, a mãe contou que o filho estava com bastante dor no peito; a médica que o atendeu teria dito que seria apenas ansiedade e liberou a criança.

A mãe retornou à UPA na tarde de domingo (5), ocasião em que João ficou em observação e foi submetido a outro raio-x. O exame teria apontado que o joelho esquerdo do menino estava com uma lesão, e ele foi liberado para que, na segunda-feira (6), fizesse a tala na Santa Casa.

Assim, a mãe levou a criança para o hospital na segunda (6), onde foi feita a tala na perna esquerda, e João foi liberado. No mesmo dia, ele passou mal e desmaiou, momento em que a mãe percebeu que o filho estava roxo, principalmente nas pernas.

A situação ficou preocupante, e a família levou o menino para a UPA do Universitário, onde ele chegou desacordado e foi recepcionado por uma mulher, que seria enfermeira. Os funcionários da unidade teriam dito que não havia médico na UPA, mas colocaram João em uma maca e começaram a reanimá-lo.

Na ocasião, a equipe teria colocado oxigênio, entubado o menino e o encaminhado para a Santa Casa. No hospital, ele foi reanimado novamente, mas não resistiu.

Sesau diz que caso está sendo apurado

Diante dos fatos, o Jornal Midiamax acionou a Secretaria Municipal, por meio da Prefeitura Municipal de Campo Grande, e foi informado, em nota, que o caso está sendo investigado com levantamentos de prontuários e registros médicos.

A pasta afirmou também que as responsabilidades estão sendo verificadas e, caso identifiquem eventuais desvios de conduta, serão adotadas medidas cabíveis. Diante da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), a secretaria esclareceu que não fornece dados ou esclarecimentos sobre atendimentos individuais.

Confira a nota na íntegra:

“A Secretaria Municipal de Saúde informa que o caso está sendo investigado. Em cumprimento à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) e ao princípio constitucional da inviolabilidade da intimidade e do sigilo das informações de saúde, a secretaria não fornece dados ou esclarecimentos sobre atendimentos individuais de pacientes à imprensa ou a terceiros, mesmo que de forma indireta. A pasta esclarece ainda que as informações estão sendo devidamente apuradas, com base em levantamentos de prontuários e registros médicos. Ressalta também que todas as responsabilidades serão rigorosamente verificadas e, caso sejam identificados eventuais desvios de conduta, as medidas cabíveis serão adotadas.”

A reportagem também acionou a Santa Casa acerca dos atendimentos, e o hospital lamentou a morte do menino. No entanto, informou que não pode divulgar informações específicas sobre pacientes diante da LGPD e das normas de sigilo médico.

“A Santa Casa de Campo Grande lamenta o ocorrido e se solidariza com a dor da família. Entretanto, informamos que, em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e às normas de sigilo médico, não é possível divulgar informações específicas sobre pacientes, prontuários ou circunstâncias clínicas relacionadas ao caso.” Fonte: Midiamax

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