26 de setembro de 2026

MS está entre os 4 estados brasileiros com maior taxa de feminicídio do país

Mato Grosso do Sul ocupa a quarta colocação entre os Estados com maior risco proporcional para as mulheres no Brasil. Conforme o relatório “Retrato dos Feminicídios no Brasil (2021–2025)”, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública nesta quarta-feira, em 2025, o Estado registrou 39 feminicídios, com taxa de 2,6 mortes para cada 100 mil mulheres, uma das mais altas do país e acima da média nacional, que foi de 1,43.

Mato Grosso do Sul ficou atrás apenas de estados do Acre (3,2), Rondônia (2,9) e Mato Grosso (2,7), ocupando o grupo com maior incidência proporcional de assassinatos de mulheres por razões de gênero.

No acumulado de cinco anos (2021–2025), o crescimento da violência em MS foi de 14,3%, com alta de 10,5% entre 2024 e 2025. O dado coloca o Estado em um cenário persistente de violência letal doméstica, diferente do que ocorre em parte do país. Foram registrados 33 feminicídios em 2021, 44 em 2022, 30 em 2023 e 35 em 2024, com taxa variando de 2,1 a 3,1 feminicídios por grupo de 100 mil mulheres.

Em nível nacional, os Estados que apresentaram aumentos mais expressivos foram o Amapá (+120,3%), São Paulo (+96,4%) e Rondônia (+53,8%).

 

Medidas protetivas – Outro dado que se destaca no levantamento é a relação entre feminicídios e MPU (Medidas Protetivas de Urgência), previstas na Lei Maria da Penha.

Em Mato Grosso do Sul, segundo o estudo, 5,9% das mulheres assassinadas tinham medida protetiva vigente no momento da morte (dados com base em 2021). Embora o percentual seja inferior à média nacional (13,1%), ele evidencia que a proteção formal nem sempre é suficiente para impedir o desfecho fatal.

A morte de Aline Barreto da Silva, de 33 anos, em dezembro de 2025, em Ribas do Rio Pardo, é um exemplo deste caso. A mulher estava com medida protetiva contra o agressor desde abril daquele ano, mas a proteção estava inativa no momento do crime após o casal retomar o relacionamento. Aline foi esfaqueada dentro da própria casa, assassinada pelo ex-companheiro, Marcelo Augusto Vinciguerra, de 31 anos, na presença dos filhos da vítima.

Pequenos municípios – Ribas do Rio Pardo é uma cidade de 24 mil habitantes e faz parte de um dos pontos centrais do relatório que aponta que municípios pequenos concentram taxas maiores de feminicídio no Brasil.

Cidades com até 50 mil habitantes registraram taxa de 1,8 por 100 mil mulheres em 2024, quase 30% acima da média nacional.

Segundo o levantamento nacional, apenas 5% dos municípios pequenos brasileiros possuem Delegacia da Mulher e só 3% contam com Casa Abrigo. O relatório não detalha estas informações conforme unidade da federação, mas aponta que a ausência de estrutura dificulta a chamada “rota crítica”, o caminho que a mulher percorre desde a decisão de denunciar até o acesso efetivo à proteção.

 

Desigualdade estrutural – Em 2026, a Lei Maria da Penha completa 20 anos. O Brasil avançou na legislação e tornou o feminicídio crime autônomo com a maior pena prevista no Código Penal, mas o relatório chama a atenção para os desafios da implementação.

Embora o relatório não detalhe o recorte racial específico por Estado, o estudo também reforça que o feminicídio atinge, em sua maioria, mulheres negras e adultas. O perfil das vítimas no país, traçado a partir da análise de 5.729 registros entre 2021 e 2024, mostra que 62,6% das vítimas eram negras e metade tinha entre 30 e 49 anos, mulheres em idade produtiva, muitas vezes responsáveis pelo sustento da família.

No entanto, a violência começa cedo, sendo que 29,4% das vítimas tinham entre 18 e 29 anos. Outros 15,5% tinham mais de 50 anos, o que demonstra que o risco se estende até a terceira idade.

O estudo também confirma que o feminicídio é, majoritariamente, um crime cometido por alguém próximo. Quase 60% das vítimas foram mortas pelo parceiro íntimo, e 21,3% pelo ex-companheiro. Apenas 4,9% dos casos envolveram desconhecidos. A autoria é predominantemente masculina, sendo que 97,3% dos crimes com autor identificado foram cometidos por homens.

Os números desmontam a ideia de violência aleatória e reforçam que o feminicídio está ligado a relações afetivas marcadas por controle, posse e desigualdade de poder. Um caso que ganhou notoriedade no Estado, em 2025, foi a morte da jornalista Vanessa Ricarte, que foi assassinada, no dia 12 de fevereiro, ao ser esfaqueada pelo ex-noivo, o músico Caio Nascimento.

O modo como essas mulheres são mortas também revela a brutalidade do contexto doméstico. Quase metade dos casos (48,7%) envolveu arma branca, como faca, machado ou canivete. Em 25,2% dos registros, o instrumento foi arma de fogo.

A residência da vítima é o principal cenário da violência, pelo menos 66,3% dos feminicídios ocorreram dentro de casa, enquanto 19,2% aconteceram em vias públicas. O dado reforça que o espaço que deveria representar proteção é, para muitas mulheres, o local de maior risco…. veja mais em https://www.campograndenews.com.br/brasil/cidades/ms-esta-entre-os-4-estados-brasileiros-com-maior-taxa-de-feminicidio-do-pais

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