27 de setembro de 2026

MP investiga prefeito de Ivinhema por enriquecimento ilícito com salários ilegais

O MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) abriu investigação contra o prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PL), por descumprir decisão da Justiça contra o aumento do salário dele, de R$ 19 mil para R$ 35 mil. Em março de 2025, lei municipal que reajustou o vencimento foi derrubada.

Essa apuração foi adiantada, semanas atrás, pela promotora Lenize Martins Lunardi Pedreira. Em manifestação na ação que derrubou o novo valor do vencimento, ela observou que Ferro já reduziu o salário, mas que ele deveria ser investigado por ter recebido a mais por alguns meses após a liminar.

O chefe do Executivo teria autorizado pagamento a ele e aos servidores que ganham o mesmo salário do chefe do Executivo, de R$ 35 mil. Após a decisão de 11 de março, o pagamento foi feito de abril a agosto de 2025.

Por conta do cargo, a investigação contra Ferro precisa do aval do chefe do MPMS, o procurador-geral de Justiça Romão Milhan Ávila Júnior. Ele já assinou despacho pedindo parecer para tomar uma decisão, mas, até esta sexta-feira (27), o caso segue parado, aguardando esse andamento.

A reportagem do Jornal Midiamax procurou Juliano Ferro, mas não obteve resposta até esta publicação. O espaço segue aberto para manifestação.

Entenda o caso do aumento salarial do prefeito de Ivinhema

Em 11 de março de 2025, o juiz Rodrigo Barbosa Sanches, da 1ª Vara de Ivinhema, acolheu pedido do advogado Douglas Prado em ação popular e suspendeu aumento no salário do prefeito de Ivinhema, de R$ 19.904 para R$ 35 mil.

O reajuste também atingia o vice-prefeito, secretários, procurador e chefe de gabinete do município. O pedido indicava que a lei que aumenta gastos com pessoal foi sancionada a menos de seis meses do fim do mandato, o que fere a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Na decisão liminar (provisória), o magistrado pontuou: “Verifica-se que se encontram preenchidos os requisitos para concessão da tutela de urgência, eis que comprovada a probabilidade do direito e o perigo de dano, este último consubstanciado no fato de que os novos subsídios vêm sendo pagos desde o início deste ano, em evidente prejuízo ao erário”.

Um dia depois, Ferro foi às redes sociais para lamentar a decisão. Em vídeo que acompanhava a legenda “Cada dia mais complicado ser prefeito”, ele afirmou: “É injusto ser o mais baixo [salário] da região. Fazia anos que não aumentava o salário […] acho injusto prefeito ganhar R$ 14 mil [líquido] trabalhando noite e dia, já descontado… R$ 19 mil”.

Para Ferro, ganhar o mesmo salário que o governador Eduardo Riedel (R$ 35.462,27), só que para administrar um município de 24.233 habitantes (estimativa do IBGE 2024), é justo.

“Ivinhema tinha arrecadação anual de R$ 100 milhões. Elevei, junto do meu quadro de secretários, para quase R$ 300 milhões em quatro anos. Nós produzimos, estamos construindo uma cidade melhor, dando resultado para o povo e a pessoa fazer isso [referindo-se ao advogado]”, justificou.

O prefeito alega ainda que a ação seria perseguição política, afirmando que o advogado que entrou com o processo não seria de Ivinhema. Por fim, declarou que “a decisão judicial foi acatada. Se ficar isso aí, vou tocar, como toquei até agora. É injusto ser o mais baixo da região”, concluiu.

Mesmo após a decisão, houve nova tentativa para aumentar o salário, agora em 2026. Uma primeira sessão extraordinária na Câmara foi convocada, mas acabou cancelada. Outra foi chamada, mas não houve votação do texto. Ferro chegou a publicar um vídeo em que rasgava o projeto de lei, sinalizando abrir mão do aumento.

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