25 de setembro de 2026

Sem escândalos e com resultados, Riedel entra no ano decisivo

No último ano de seu primeiro mandato à frente de Mato Grosso do Sul, Eduardo Corrêa Riedel, 56, entra no calendário eleitoral com um ativo raro na política brasileira: resultados mensuráveis, baixo desgaste e ausência de denúncias de corrupção. Mas chega também com dois compromissos assumidos publicamente que seguem como prioridade absoluta e definem o tom da disputa pela reeleição.

Formado em Ciências Biológicas pela UFRJ, mestre em Zootecnia pela Unesp e com especializações em Gestão Empresarial pela FGV e Gestão Estratégica pelo INSEAD, Riedel construiu carreira antes da política. Presidiu a Famasul, comandou o Conselho Deliberativo do Sebrae, foi vice-presidente e diretor da CNA e integra a Sapé Agropastoril. Em 2017, figurou entre as 100 personalidades mais influentes do agronegócio brasileiro. A política veio depois — e rápido: estreante, venceu a eleição e assumiu o governo em 2023.

Desde então, governa com método. O Estado registrou forte geração de empregos formais, tornou-se um dos principais destinos de grandes investimentos industriais do país — com destaque para a cadeia da celulose —, ampliou a malha de rodovias asfaltadas e avançou na infraestrutura educacional. O discurso é econômico, a execução é técnica, e a comunicação, discreta.

Ainda assim, Riedel não esconde os desafios que permanecem. Dois deles, em especial, são tratados como promessas que precisam ser concluídas: a erradicação da pobreza extrema e a pavimentação das principais cidades e eixos urbanos do Estado. No campo social, o governo aposta em busca ativa, integração de políticas públicas e focalização das ações para alcançar famílias que seguem à margem do crescimento econômico. Já na infraestrutura, a meta é clara: garantir asfalto como base de desenvolvimento, mobilidade, segurança e acesso a serviços públicos

Na segurança pública, os indicadores urbanos melhoraram, mas o ponto sensível continua sendo a fronteira internacional. O tráfico de drogas e armas segue operando com força, mantendo a região entre as mais violentas do Estado. Trata-se de um problema estrutural, em grande parte sob responsabilidade federal, que escancara a necessidade de coordenação nacional — tema que ganha peso quando o nome do governador começa a ultrapassar as divisas estaduais.

Riedel chega à reeleição sem retórica inflamada e sem personalismo. Seu capital político está nos números, na previsibilidade administrativa e na capacidade de dialogar com diferentes setores, do agronegócio à área social. Em um país marcado por polarização e promessas grandiloquentes, Mato Grosso do Sul se transforma em vitrine de um modelo menos ruidoso.

Ao buscar um segundo mandato, Eduardo Riedel tenta fechar ciclos: levar asfalto onde ainda falta e tirar do mapa a pobreza extrema. Se conseguir, consolida não apenas um projeto estadual, mas fortalece, no plano nacional, a ideia de que governar o Brasil pode — e talvez precise — ser mais técnica, menos espetáculo e mais entrega

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