Vítimas de golpe milionário em Mato Grosso do Sul, cujo inquérito foi instaurado e está sendo apurado na Dedfaz (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Defraudações, Falsificações, Falimentares e Fazendários), em Campo Grande, falam no financiamento de, ao menos, 14 veículos, entre eles, carros de marcas de luxo, como a Mercedes-Benz. Três delas procuraram o Jornal Midiamax e relataram prejuízos, transtornos familiares, medo e ligações de cobranças que recebem diariamente.
Conforme uma das vítimas, que não será identificada pela reportagem, no mês de novembro de 2025 foi feito um contrato verbal, de compra e venda, sendo uma negociação entre o garagista e o comprador da Mercedes. Na ocasião, o veículo foi negociado por R$ 330 mil e a pessoa pagou R$ 250 mil, sendo devolvidos R$ 120 mil para que o comprador “colocasse boletos e parcelas em dia”, enquanto o nome da vítima era prejudicado com a instituição financeira.
Pouco antes, a vítima mandou mensagem ao autor ressaltando que precisava resolver as pendências financeiras da Mercedes e que o autor precisava realizar a quitação. No entanto, este passou a ignorar as mensagens e ligações e, novamente, deixou atrasar as parcelas do veículo. Logo depois, a informação é que o nome da vítima seria encaminhado para protesto e seria providenciada a busca e apreensão.
A vítima então disse que precisou quitar o financiamento e ficou com um prejuízo de R$ 27 mil, referente a juros e parcelas em aberto. Além disso, descobriu que a Mercedes foi “passada para frente” e, ao denunciar na delegacia, descobriu que outras queixas, no município de Ponta Porã, já haviam sido registradas contra o suposto golpista. Por fim, disse que tentou várias tratativas amigáveis, mas sem sucesso.
Outra vítima, que também quer ser mantida em sigilo, fala que tudo começou em março do ano passado. Ela relata que, em questão de meses, teve prejuízos financeiros e emocionais, com o fim do próprio casamento. Encorajada a fazer o boletim de ocorrência, denunciou o crime. No entanto, ressalta que vive com reiteradas ameaças e ligações pressionando-a a reconhecer dívidas.
“Estou sem crédito, fizeram quatro contas diferentes em meu nome. Vivo brigando com o meu filho, acabei com o meu casamento de mais de 20 anos e vivo recebendo ameaças. Eles ligam o tempo todo, perdi clientes por conta disso e meu nome está sujo, coisa que nunca tinha acontecido. Junto de uma pessoa, que está me ajudando, fizemos o levantamento de 12 carros financiados, a maioria caminhonetes, SUVs e uma Mercedes”, conta.
A vítima acredita que o golpe envolve pessoas do Brasil inteiro. “Para não ter desconfianças, financiam um carro em Cuiabá, São Paulo e Pernambuco, por exemplo. O garagista ganha comissão, então, faz o contrato e o banco passa usando nomes de diversas pessoas. No meu caso, começaram a chegar carnês bancários e eu nunca nem vi os carros. E me falavam: ‘Se você denunciar, vai acontecer algo com o seu filho’. Daí tive medo, mas depois me orientaram a denunciar. Minha vida ficou travada, meu CPF comprometido. Tudo isso estragou a minha vida, acabou com o meu casamento, tive muitos conflitos com o meu marido”, lamentou.
‘SUVs rodando pelo país’
A Polícia Civil investiga um suposto esquema de golpe milionário envolvendo garagistas de Campo Grande, que teria causado prejuízos a vítimas em diferentes regiões do país. Segundo as investigações, veículos — principalmente SUVs de alto valor — estariam sendo comercializados de forma irregular, gerando perdas financeiras significativas para compradores e investidores.
De acordo com informações apuradas, o esquema funcionava por meio da venda ou intermediação de veículos, muitas vezes com promessas de negócios vantajosos, consignações seguras ou repasses rápidos. No entanto, após o pagamento ou a entrega do automóvel, as vítimas relatam que não receberam o valor combinado nem conseguiram reaver os veículos.
A polícia acredita que o número de vítimas pode ser muito maior do que o inicialmente identificado. Há indícios de que os carros envolvidos no esquema estejam circulando em diversos estados, o que reforça a complexidade do caso e a necessidade de novas denúncias para o avanço das investigações.
Ao Jornal Midiamax, o delegado Heleno Souza, responsável pelo inquérito policial, ressaltou que, caso houver novas vítimas, devem comparecer na delegacia, e que testemunhas serão intimadas novamente para fornecerem informações complementares. Ele também ressaltou o caráter sigiloso da investigação, mas ressaltou que as diligências estão em andamento. Fonte: Midiamax

