A 4ª Vara Criminal de Campo Grande acatou a denúncia do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) e transformou em réus 20 participantes de uma trama difundida pelo monopólio do jogo do bicho.
Entre os envolvidos figuram o ex-deputado estadual Roberto Razuk, hoje com 80 anos de idade, o filho Roberto Razuk Júnior, o Neno Razuk, atual deputado estadual, filiado ao PL e o advogado Rhiad Abdulahad, além de policiais militares da reserva.
De acordo com a denúncia sustentada nas investigações tocadas pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), do MPMS, no âmbito da Operação Successione, os implicados no caso, foram acusadas de envolvimento com uma organização criminosa armada voltada à exploração do jogo de azar, lavagem de capitais e corrupção ativa.
Ainda conforme a denúncia do Gaeco, após a desarticulação da organização criminosa liderada pela família Name (Jamil, morto em 2021), o grupo liderado pela família Razuk deflagrou uma ofensiva para preencher o vácuo de poder e assumir o “monopólio do jogo do bicho” em Campo Grande e regiões estratégicas.
Diz ainda a investida policial, que o grupo Razuk operava de forma estruturada, com clara divisão de tarefas e utilização de mecanismos de lavagem de dinheiro. Entre as práticas apontadas estão o uso de empresas de fachada para mascarar atividades ilícitas e a tentativa de interferência em licitações públicas.
Para justificar o aval a denúncia, a justiça considerou os dados obtidos por meio de interceptações telemáticas, que sugerem a hierarquia interna e o controle financeiro do negócio clandestino.
Durante as diligências, foram apreendidas mais de 700 máquinas de aposta, armas de fogo, munições e mais de R$ 270 mil em espécie, conforme informações da assessoria de imprensa do MPMS.
Corrupção policial
Para garantir a impunidade e o funcionamento das bancas de apostas, em Campo Grande, “à luz do dia”, a organização contava com uma rede de proteção formada por policiais cooptados.
A denúncia cita o major da reserva Gilberto Luís dos Santos, conhecido como “Coronel” ou “Barba”, como peça-chave no braço armado e na inteligência do grupo.
Em um dos episódios sustentada pelos investigadores, o grupo teria planejado emboscadas e assassinatos de rivais. O documento transcreve diálogos nos quais se discute “acelerar” (matar) concorrentes, evidenciando a periculosidade da facção.
“O próprio exercício da atividade contravencional pressupõe uma extensa rede de agentes públicos corruptos e lenientes”, destaca o Gaeco.
“Além de comprar a inércia (omissão) dos órgãos de fiscalização (ação policial), a organização criminosa ainda corrompe agentes públicos para a obtenção de informações sigilosas, a exemplo de potenciais investidas”, cita trecho da denúncia do Gaeco.
Os réus
Além da família Razuk, figuram entre os denunciados policiais militares, empresários e gerentes operacionais do esquema:
- Roberto Razuk
- Roberto Razuk Filho (“Neno Razuk”)
- Rafael Godoy Razuk
- Jorge Razuk Neto
- Gilberto Luis dos Santos (“Coronel”)
- Sérgio Donizete Balthazar
- Flavio Henrique Espindola Figueiredo
- Jonathan Gimenez Grance
- Samuel Ozorio Junior
- Odair da Silva Machado
- Gerson Chahuan Tobji
- Marco Aurélio Horta
- Paulo Roberto Franco Ferreira
- Anderson Alberto Gauna
- Willian Ribeiro de Oliveira
- Marcelo Tadeu Cabral
- Jean Cardoso Cavalini
- Paulo do Carmo Sgrinholi
- Willian Augusto Lopes Sgrinholi
- Rhiad Abdulahad
Com a abertura da ação penal, os acusados serão citados para apresentar resposta à acusação no prazo de dez dias.
Até agora, a defesa dos réus ainda não se manifestou. Caso isso ocorra, a reportagem será atualizada. Fonte: Midiamax

